Aldeia de Cevide e Melgaço
Aqui começa Portugal. A expressão recebe-nos à entrada do Caminho da Caneija do Contrabando, usado durante décadas como passagem clandestina de mercadoria entre Espanha e Portugal.
Aliás, a figura do contrabandista está perpetuada numa estátua à entrada.
A aldeia de Cevide, no concelho de Melgaço, é o ponto mais a norte de Portugal. Aqui se cruzam os rios Minho (vindo de Espanha) e Trancoso.
Os passadiços levam-nos ao marco nº 1 fronteiriço e a uma ponte de madeira que assinala a fronteira entre os dois países.
Do outro lado, uma espécie de praia fluvial, com areal e árvores (ótima para descansar e fazer um piquenique) e a um caminho que nos leva à barragem da Frieira. De regresso a Portugal, atravessamos por uma outra ponte que dá para a antiga casa do guarda fiscal. Prosseguimos até à Capela de Santo António, que remonta ao século XVIII.
A aldeia de Cevide tem mesmo muito poucos habitantes. Diz-se que não chega a meia dúzia de pessoas. As pessoas que encontramos pelo caminho são essencialmente turistas, motards de passagem, aficionados de trilhos e caminhadas. É um local sossegado, onde somos abraçados pela natureza.
Prosseguimos até Melgaço, terra do vinho Alvarinho e do fumeiro. Melgaço assume-se como o destino de natureza mais radical de Portugal. Além das aldeias típicas e do património histórico, existem atividades de natureza como canyoning, trekking cycling, rafting no rio Minho, salto pendular, passeios a cavalo, entre outras.
No centro histórico de Melgaço, sobressai o Castelo de Melgaço, cuja construção remonta aos séculos XII e XIII.
Mandado edificar por D. Afonso Henriques, o castelo teve um importante papel na defesa da fronteira.
Da fortificação original, resta apenas uma parte da antiga cerca medieval e a torre de menagem de planta quadrangular, com três pisos e cobertura em telha, que acolhe atualmente o Núcleo Museológico da Torre de Menagem.
A entrada custa apenas dois euros. Subindo os três andares, fica-se a conhecer o património e a história do concelho de Melgaço, desde o período pré-histórico à Idade Contemporânea.
Para quem aprecia património arquitetónico religioso, recomendo a visita à Igreja Matriz (século XIII), também conhecida como Igreja de Santa Maria da Porta, e à Igreja da Misericórdia (século XIII), também conhecida como Igreja de Santa Maria do Campo.
Em terras de Alvarinho, é obrigatório passar pelo Solar do Alvarinho, localizado na Casa Mãe da Rota do Vinho Alvarinho (também conhecida como “Edifício dos Três Arcos”). É uma casa seiscentista que, desde 1997, foi transformada num espaço de divulgação do vinho Alvarinho e de outros produtos típicos da região.
Atualmente, o Solar do Alvarinho encontra-se em obras, estando instalado provisoriamente no antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Melgaço.
Muito mais há para ver em Melgaço. Prometemos voltar.
Palácio da Brejoeira e Monção
Ex-libris da região, o Palácio da Brejoeira é verdadeiramente grandioso.
Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o Palácio da Brejoeira é uma casa senhorial, de estilo neoclássico, do início do século XIX. Diz-se que é inspirado no Palácio da Ajuda, em Lisboa, dado ter sido- ao que tudo indica, desenhado pelo mesmo arquiteto, José da Costa e Silva.
Situado na freguesia de Pinheiros, no concelho de Monção, o palácio pertenceu, ao longo dos anos, a várias famílias e foi sendo sucessivamente vendido, deixado ao abandono e depois restaurado.
Em forma de L, o edifício é composto por três torreões e dois vãos. No interior, existem vários salões decorados com peças de estilo império e oriental, nomeadamente tapeçarias, azulejos figurativos, pratas, loiças, mobiliário de madre pérola e pau-preto. Destaque para a capela e um teatro.
Além do edifício principal, fazem parte do Palácio da Brejoeira a Casa das Artes /Loja de Enoturismo (antigas cavalariças), oito hectares de bosque com árvores exóticas, três hectares de jardins em estilo inglês, com lagos e estátuas, 18 hectares de vinhas e a adega onde é produzido o vinho Alvarinho, mas também duas aguardentes, uma vínica e outra bagaceira.
Desde os anos 70 do século XX que são cultivados vinhos da casta Alvarinho por iniciativa de Hermínia Paes, a última proprietária (falecida em 2015, com 97 anos).
Em 2010, o palácio abriu ao público para visitas guiadas.
Mas há muito mais para ver em Monção. Além do vinho Alvarinho e da gastronomia típica da região, espera-nos um centro histórico fantástico no interior da fortaleza erguida em 1306 por D. Dinis e Monumento Nacional desde 1910.
Para descontrair, vá até à zona ribeirinha. Aproveite para fazer um piquenique em família no Parque das Caldas, onde existe um parque das merendas com mesas e bancos, um parque infantil, um passadiço de madeira junto ao rio Minho e a ecovia que liga o Parque das Caldas ao Posto Aquícola, em Troviscoso.
Na área da saúde e bem-estar, encontramos as célebres Termas de Monção, o complexo de piscinas municipal, campo de futebol e court de ténis.
Quem aprecia caminhadas ou passeios de bicicleta, usufrui, desde 2004, da Ecopista do Rio Minho, que liga Monção a Valença, através do antigo troço ferroviário há vários anos desativado. São cerca de 20 km acompanhados pela paisagem do rio.
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