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Aldeia Histórica de Marialva

Em pleno coração da Beira Interior, ergue-se imponente a aldeia de Marialva, uma das 12 Aldeias Históricas de Portugal. Aqui, entre muralhas e ruínas que resistem ao tempo, o viajante é convidado a percorrer séculos de história viva e a mergulhar nas origens mais profundas da identidade portuguesa.

Uma História Milenar

A génese de Marialva remonta ao século VI a.C., com a fundação da antiga cidade de Aravor pelos Túrdulos, mais tarde habitada pelos lusitanos Aravos. O local assumiu grande importância com a chegada dos romanos, passando a designar-se Civitas Aravorum, ponto estratégico na rede de vias imperiais. A sucessão de povos que ali deixaram marcas — godos, muçulmanos e, por fim, os cristãos — confere a Marialva um passado rico e diverso.

Em 1063, D. Fernando Magno de Leão reconquista a povoação, já então chamada Malva, rebatizando-a de Marialva. Recebe o seu primeiro foral em 1179, pelas mãos de D. Afonso Henriques, e conhece um período de grande dinamismo económico e social, impulsionado pelas suas feiras medievais. O castelo, mandado restaurar por D. Sancho I e mais tarde reforçado por D. Dinis, testemunha a importância estratégica desta vila raiana.

Três Núcleos, Uma Identidade

Marialva divide-se em três zonas distintas: a Cidadela (no interior das muralhas), hoje desabitada, mas cheia de memória; o Arrabalde, que se desenvolveu fora do recinto fortificado, mantendo um traçado urbano medieval; e a Devesa, planície fértil junto à ribeira, onde assentou a antiga cidade romana.

Caminhar pelas ruas empedradas da aldeia é entrar num verdadeiro cenário histórico. As casas senhoriais e rurais, as igrejas, as capelas e os edifícios civis contam histórias de fé, resistência e comunidade.

Monumentos que Contam Estórias

No interior das muralhas ergue-se a Praça, dominada pelo Pelourinho manuelino (datado de 1559), símbolo da autonomia administrativa de outrora, e pela antiga Casa da Câmara, que foi também tribunal e cadeia. A poucos passos, destaca-se a Igreja de Santiago, com inscrições românicas, um magnífico portal manuelino e um retábulo barroco profusamente decorado. Junto a esta, encontra-se a Capela do Senhor dos Passos, com um teto de 36 caixotões pintados e uma história de solidariedade através da Irmandade que ali cuidava dos mais necessitados.

Outro templo digno de visita é a Igreja de São Pedro, com frescos notáveis, como o “Martírio de São Sebastião”, e ricos elementos decorativos barrocos atribuídos ao entalhador Manuel Machado. No Arrabalde, espreita a modesta mas simbólica Fonte Manuelina, encimada por uma esfera armilar, e o Cruzeiro do século XV, que dá nome ao largo onde outrora existiam casas da judiaria local.

As muralhas, reforçadas por D. Dinis, incluem a Torre do Relógio, símbolo da fortificação que fez de Marialva uma das mais imponentes praças militares do reino.

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