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“São Gonçalo de Amarante

Casamenteiro das velhas,

Porque não casais as novas?

Que mal vos fizeram elas?”

São estes os primeiros versos desta música tradicional dedicada a São Gonçalo de Amarante, alegado casamenteiro.

Diz-se que Amarante deve o seu nome a um centurião romano, Amarantus, mas, na realidade, a maior influência foi mesmo Gonçalo de Amarante (1187-1259), o monge beneditino nascido em Tagilde (Vizela) que aqui se fixou no século XIII depois da sua peregrinação por Roma e Jerusalém. Foi beatificado no século XVI e é considerado o padroeiro de Amarante.

Há muito para ver e fazer em Amarante. Selecionamos sete pontos de interesse para que possa visitar e usufruir durante um fim de semana em família.

1- Ponte de São Gonçalo– A São Gonçalo deve-se a construção da ponte sobre o rio Tâmega por volta de 1250, com as esmolas recolhidas na região. Em 1763, as cheias do rio provocaram a derrocada da travessia. Salvou-se a imagem da Senhora da Ponte, um cruzeiro que existia no meio da ponte, e que foi colocada numa janela da Igreja e Convento de São Gonçalo. A ponte foi reconstruída entre 1782 e 1791, permanecendo com o aspeto que ainda hoje apresenta. A ponte de São Gonçalo está associada a um importante episódio histórico, no início do século XIX, aquando das invasões francesas pelas tropas de Napoleão Bonaparte, no contexto da Guerra Peninsular (1807-1814). Amarante era um importante ponto de passagem para a região de Trás-os-Montes. De 18 de abril a 2 de maio, os amarantinos resistiram ao cerco das tropas comandadas pelo marechal Soult, rendendo-se, ao fim de 14 dias, quando os franceses recorreram a barris de pólvora para quebrar a resistência. O episódio da Defesa da Ponte de Amarante valeu ao General Silveira o título de Conde de Amarante. Já a vila de Amarante foi agraciada com o colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. A ponte de São Gonçalo está classificada como Monumento Nacional desde 1910.

2- Igreja e Convento de São Gonçalo– Com a chegada de São Gonçalo no século XIII, Amarante começou a ser um local de peregrinação. Em 1540, D. João III ordena a construção de uma igreja e de um convento dominicano, no local onde existia uma capela erguida por São Gonçalo e onde este foi sepultado, junto ao rio Tâmega. As obras começaram em 1543 e prolongaram-se até ao século XVIII. Também no século XX realizaram-se intervenções. A Igreja e o Claustro do Convento de São Gonçalo estão classificados como Monumento Nacional desde 1910. São um exemplo de arquitetura religiosa, nos estilos renascentista, maneirista, barroco e oitocentista. Na fachada principal, encontram-se representados João III de Portugal, Sebastião de Portugal, Henrique I de Portugal e Filipe II de Espanha. No interior, destacam-se o órgão de tubos (executado pelo organeiro galego Francisco António Solha em 1766), o túmulo de São Gonçalo de Amarante, uma imagem do beato (é tradição puxar por três vezes a corda da cintura pedindo três desejos) e o claustro com uma fonte da autoria de Mateus Lopes, erguido entre 1586 e 1606.

3- Igreja de São Domingos– Também referida como Igreja de Nosso Senhor dos Aflitos, é mais um exemplar de arquitetura religiosa, em estilo barroco. Localizada junto à Igreja e Convento de São Gonçalo, foi construída em 1725 pela Ordem Terceira do Patriarca São Domingos e em 2011 foi objeto de conservação e restauro. Destaque para o órgão de tubos, construído em 1868, pelo organeiro portuense José Joaquim Fonseca. A igreja acolhe atualmente o Museu Paroquial de Arte Sacra Dr. Luís Coutinho, dando a conhecer ao público um vasto espólio de paramentos, alfaias litúrgicas, artes decorativas, pintura e imaginária.

4- Confeitaria da Ponte Falar de Amarante é também falar da sua doçaria conventual. Se há um local onde nos podemos deliciar com as brisas do Tâmega, os papos de anjo, os bolos de São Gonçalo, o pão-de-ló ou as cavacas é a Confeitaria da Ponte. Aberta desde 1930, apresenta uma vista privilegiada quer para o rio Tâmega quer para a Ponte de São Gonçalo.

5- Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso – Fundado em 1947 como Biblioteca-Museu Municipal de Amarante, foi instalado na década de 80 do século passado no Convento de São Gonçalo, num projeto de adaptação da autoria do arquiteto Alcino Soutinho. Reúne espólio de artistas e escritores nascidos em Amarante, entre os quais Amadeo de Souza-Cardoso, António Carneiro, Acácio Lino, Teixeira de Pascoaes e Agustina Bessa-Luís. Num jardim no exterior, destaca-se a escultura do poeta Teixeira de Pascoaes.

6- Casa da Calçada – Antigo palácio do Conde de Redondo, datado do século XVI, desempenhou um importante papel durante as Invasões Francesas, servindo de albergue às tropas portuguesas e inglesas do General Francisco da Silveira e do Marechal General WellesleyFoi destruído por um fogo durante o cerco da defesa da ponte devido aos bombardeamentos das tropas napoleónicas lideradas pelo Marechal Soult. No início do século XIX, a Casa da Calçada foi reconstruída e serviu de ponto de encontro para políticos e intelectuais, sobretudo no período da II Guerra Mundial. Já no início do século XXI, a Casa da Calçada foi transformada num hotel de 5 estrelas, com um restaurante distinguido com uma estrela Michelin.

7- Parque Florestal de Amarante – Debruçado sobre o rio Tâmega, ocupa mais de 5 hectares de terreno e alberga no seu interior várias espécies de árvores e animaisÉ muito procurado, principalmente na primavera e no verão, para lazer, nomeadamente para passeios, atividades ao ar livre, atividades no rio ou piqueniques. Ao lado, existem as piscinas municipais de Amarante. 

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