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O pôr do sol mais bonito do mundo. É a primeira coisa que me vem à cabeça quando penso em Bali, mas, na realidade, é muito mais do que isso.

Bali é uma das mais de 17.500 ilhas do arquipélago da Indonésia e passou a ser um destino turístico muito procurado depois do filme “Comer, orar e amar”, com Julia Roberts.

Quem vai a Bali, vai à procura de algo. Não se sabe o quê. Parece um destino de férias, mas, no fundo, é uma viagem espiritual. Sentimo-nos diferentes. Passamos a olhar à nossa volta e a sentir vergonha de quem somos, do que reivindicamos, do que nos queixamos…

Praias, cascatas, templos, montanhas, florestas, campos de arroz…encontram-se um pouco por toda a ilha. O que torna Bali realmente diferente são as pessoas. A maioria da população é hindu. De todos os sítios do mundo por onde passamos, nunca encontramos gente tão humilde, simples, grata, generosa e bondosa como em Bali. Sorrisos sinceros, olhares tristes de quem sobrevive com dificuldade, mãos grandes que abraçam tudo o que estamos dispostos a partilhar…Viemos de Bali com o coração cheio.

Conhecemos Bali na nossa primeira viagem pela Ásia.

Seminyak

O alojamento é bem mais acessível em Kuta, a zona da ilha mais frequentada por surfistas e mochileiros em busca de animação, sobretudo à noite. Optamos por Seminyak, onde não faltam bons restaurantes, bares, beach clubs, lojas e villas de luxo a preços acessíveis a ocidentais, mas proibitivos a locais. À noite, há música ao vivo para quem quer relaxar, conversar e divertir-se sem grandes confusões. Ficamos alojados no Grand La Villais Seminyak, mas existem muitas opções de alojamento nesta zona e a preços muito variados. Consultem esta área do nosso website e beneficiem de descontos.

Depois de nos instalarmos, saímos à procura da praia. De areia preta e água quente, a praia de Seminyak é ótima para a prática de surf e péssima para banhos. Para quem quer mesmo fazer praia, existem outras opções como as ilhas Nusa, Gili ou até Lombok.

Perto da praia de Seminyak, encontra-se o Pura Petitenget, um templo hindu, forrado a tijolos avermelhados e decorado com os tradicionais guarda-sóis balineses. Bali é a ilha dos deuses. Por isso, não faltam as oferendas, os cestos de flores e o incenso.

Queríamos conhecer Bali ao nosso ritmo. Tínhamos feito o “trabalho de casa”. Sabíamos o que queríamos ver, por isso, através do hotel, contratamos os serviços de um motorista para nos levar onde queríamos. Conhecemos o Gede Murdiana, um homem com uma família para sustentar, muito educado e discreto. Ficamos amigos até hoje.

Danças balinesas e o café mais caro do mundo

O Gede Murdiana levou-nos a Denpasar, a capital de Bali. Começamos o nosso périplo pelo teatro Catur Eka Budhi Kesiman para assistir a um espetáculo de dança tradicional balinesa.

Seguimos até a uma plantação de café. Sim, o café (Kopi) Luwak, um dos mais caros do mundo. É feito a partir de grãos de café ingeridos por civetas (um mamífero que vive nas florestas do sudoeste asiático). Depois de defecados, os grãos são lavados e tostados.

Não ficamos fãs do café nem de tudo o que envolvia a sua produção. Aliás, fez-nos confusão manterem os animais dentro de jaula o dia todo apenas com o único propósito de comerem e defecarem…não recomendo.

Cascatas e vulcões

Bali tem imensas quedas de água! O mais difícil é escolher. Quisemos conhecer a cascata Tegenungan, a norte de Denpasar. Abraçada por uma imensa floresta, esta cascata é lindíssima! A água corre violentamente. O barulho ouve-se bem longe. Estamos perto quando começamos a sentir as gotas da “chuva”. É a natureza no seu melhor. Sentimo-nos pequeninos.

A fome também aperta. Fomos almoçar a um restaurante com vista privilegiada para o Monte Batur, com 1717 m, em Kintamani, o segundo maior vulcão da ilha, que está ativo. Na sua cratera existe o lago Batur. É possível fazer uma caminhada até ao topo para ver o nascer do sol.

Ali perto, escondido pelas nuvens, está o Monte Augung, com 3142 m, que recentemente entrou em erupção.

Não me lembro sequer do que comemos. Sei que a vista compensou tudo.

Campos de arroz e macacos

Ubud é considerado o centro cultural e religioso de Bali. Entre as suas atrações, destacam-se os campos de arroz. E há muitos. Mesmo! Aliás, alguns até foram classificados como Património Mundial pela Unesco, como os de Jatiluwi. Optamos por visitar os campos de arroz de Tegallalang. Parece um quadro saído das mãos de um pintor. Somos engolidos pelo verde da paisagem. Das palmeiras aos socalcos húmidos, percorre-se uma espécie de labirinto. É curioso pensarmos que uma atração turística é, na realidade, alimento para muita gente.

Outra das atrações turísticas é a Floresta dos Macacos. Apesar de todos os avisos, ainda há gente que abusa do bom senso e coloca em risco a sua segurança e a dos outros. Muitas vezes, só para tirar uma fotografia.

Os macacos estão em todo o lado mesmo! Aliás, a floresta é o seu território, o seu santuário. Nós é que somos os visitantes. Eles sabem que os turistas trazem objetos cintilantes e sonoros, bebida e comida…Com crias para alimentar, tudo vale…Quem se aproxima demais, está sujeito a ficar sem alguma coisa ou, na pior das hipóteses, a levar uma dentada…Tendo em conta de que estes macacos não são vacinados, as consequências podem ser graves.

Na floresta existem ainda três templos hindus datados do século XIV: o templo Dalem Agung Padangtegal (dedicado ao deus Shiva), o templo Holy Spring (em honra da deusa Ganga) e o templo Prajapati (Deus/Senhor de toda a criação).

A ilha dos (20) mil templos

Bali é a ilha dos templos…sim, existem cerca de 20 mil. De enorme simbolismo e significado para os hindus, os templos estão distribuídos por todo o território. Em cada casa existe um templo, mas também existem templos públicos e comunitários.

Escolhemos os templos menos turísticos e mais frequentados por locais. Queríamos viver a experiência espiritual por inteiro sem o incómodo das filas e do barulho das máquinas fotográficas.

Visitamos os templos Gunung Kawi Sebatu e Pesiraman Dalem Pingit Sebatu. Alugamos os tradicionais sarong, pois para entrar é obrigatório cobrir ombros e joelhos. Além da entrega de oferendas aos deuses, assistimos aos banhos de purificação dos locais. Estávamos num mundo à parte. O nosso motorista contava que, depois daquele banho de água fria, a cabeça ficava vazia de pensamentos maus.

No regresso, passamos pelo Palácio Real de Ubud, um complexo religioso e cultural. Queríamos muito visitar, mas infelizmente estava encerrado.

Uluwatu

Outro dos locais que fazia parte da nossa lista de desejos era o templo Uluwatu. E conseguimos!

Uluwatu é um dos nove templos mais importantes de Bali e representa a porta de entrada para o céu.

Construído no século X, no topo de um penhasco com cerca de 75 m, tem uma vista incrível e é muito procurado ao final do dia para o pôr do sol. A sua praia é das mais frequentadas por surfistas de todo o mundo em busca das melhores ondas.

Uluwat é também o refúgio de muitos macacos…por isso, as recomendações são as mesmas que se aplicam na Floresta dos Macacos.

Muito do que tínhamos planeado ver, ficou sem efeito, mas vimos outras coisas que nem estávamos à espera. Não houve tempo para tudo.  A maior parte das estradas não tinha condições de circulação, e nas restantes o transito era caótico, sobretudo ao final do dia.

Também não nos importamos muito. Assistimos a um pôr do sol inesquecível na praia de Dreamland por sugestão do Gede Murdiana. À medida que a hora se aproxima, a praia vai ficando mais composta como se de uma sala de cinema se tratasse. Cada um procura o melhor lugar, estende a toalha, senta-se e observa. O tempo desacelera. O sol toca na água. É um momento mágico e fugaz. Desejávamos que o tempo andasse mais devagar. Fotografamos o momento com a nossa memória. As cores, a luz, o som das ondas…não há câmaras que captem esse tipo de sentimentos. Bali ficou na nossa memória, no nosso coração.

 

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