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Cristo Redentor: de braços abertos sobre o Rio de Janeiro

Nenhuma visita ao Rio de Janeiro está completa sem conhecer o Cristo Redentorsímbolo de fé, arte e identidade nacional. Foi aqui que encerramos o nosso itinerário pelas Sete Maravilhas do Mundo.

Localizada a 709 metros de altitude, no topo do Morro do Corcovado, no coração da Floresta da Tijuca, esta imponente estátua, com 30 metros de altura (mais 8 do pedestal) e uma envergadura de braços de 28 metros, domina a paisagem carioca e oferece uma das melhores vistas panorâmicas da cidade que abrange o Pão de Açúcar, a Baía de Guanabara, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jardim Botânico, as praias de Copacabana e Ipanema, e os bairros sinuosos da cidade estendidos entre montes e mar.

Uma obra monumental da engenharia e da fé

Idealizada no início do século XX como um símbolo da religiosidade nacional, a ideia do Cristo no Corcovado começou a ganhar forma em 1921, com uma campanha popular promovida pela Igreja Católica.

A obra, no estilo Art Déco, foi idealizada pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa e esculpida em pedra-sabão pelo francês Paul Landowski, com o rosto da figura modelado pelo romeno Gheorghe Leonida. A sua construção iniciou-se em 1922.

A construção decorreu entre 1926 e 1931, em condições difíceis, dadas a altitude e a natureza rochosa do terreno. A estátua foi construída em betão armado e revestida com pedra-sabão, escolhida pela sua durabilidade e aparência suave. A inauguração oficial teve lugar a 12 de outubro de 1931, e desde então, a imagem do Cristo com os braços abertos tornou-se uma das mais reconhecidas em todo o mundo, símbolo de acolhimento, paz e esperança.

Em 2007, foi eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, reforçando a sua projeção internacional, recebendo mais de dois milhões de visitantes por ano. Em 2012, passou a integrar a Paisagem Cultural do Rio de Janeiro, declarada Património Mundial pela UNESCO, numa consagração do valor histórico e estético do monumento e do seu enquadramento natural.

Como chegar ao Cristo Redentor

Há duas formas principais de aceder ao topo do Corcovado:

  1. Trem (comboio) do Corcovado – Parte do bairro do Cosme Velho e atravessa a Mata Atlântica do Parque Nacional da Tijuca numa viagem de cerca de 20 minutos. É uma das formas mais agradáveis e tradicionais de subir. O trem foi inaugurado em 1884 por D. Pedro II, sendo o primeiro caminho-de-ferro eletrificado do Brasil.

  2. Vans (carrinhas) oficiais – Saem de locais estratégicos como o Largo do Machado, a Praça do Lido (Copacabana) e o Centro de Visitantes da Paineiras. As vans são confortáveis e têm acesso autorizado até ao alto do Corcovado.

Em ambos os casos, é altamente recomendável comprar os bilhetes online com antecedência, especialmente em épocas de maior afluência. O acesso ao monumento pode incluir elevadores e escadas rolantes, facilitando a visita a pessoas com mobilidade reduzida.

Quando visitar e o que levar

As melhores horas do dia para visitar o Cristo Redentor são logo pela manhã ou ao fim da tarde, quando a luz é mais suave e as temperaturas são mais amenas. Evitar os fins de semana e feriados também ajuda a escapar às multidões.

Embora o clima tropical permita visitas durante todo o ano, os meses de maior visibilidade são de maio a setembro, quando o céu está geralmente mais limpo. Em dias nublados ou com nevoeiro, o monumento pode ficar totalmente encoberto, por isso vale a pena verificar a previsão meteorológica antes de subir.

Um espaço de espiritualidade e contemplação

Além do valor turístico e paisagístico, o Cristo Redentor é também um espaço de culto e reflexão. No pedestal, encontra-se uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, onde são celebradas missas e cerimónias especiais. O local é frequentemente escolhido para batizados, pedidos de casamento e até casamentos civis e religiosos, graças ao seu simbolismo e beleza singular.

Curiosidades históricas sobre o Cristo Redentor

·         A primeira ideia surgiu em 1859: Muito antes da construção efetiva, o padre francês Pedro Maria Boss propôs erguer um monumento religioso no Morro do Corcovado. A proposta não avançou na altura, mas a semente ficou plantada.

·         Foi financiado por donativos populares: A construção do Cristo Redentor não contou com apoio direto do governo. A obra foi viabilizada graças a uma campanha nacional de angariação de fundos promovida pela Igreja Católica, com doações vindas de fiéis de todo o Brasil.

·         O projeto original era diferente: Heitor da Silva Costa chegou a imaginar o Cristo com um globo na mão esquerda e uma cruz na direita, formando uma figura mais simbólica. Mas a ideia evoluiu para a atual postura de braços abertos, representando acolhimento universal e paz.

·         Foi iluminado pela primeira vez por Guglielmo Marconi: A inauguração do monumento, em 1931, incluiu uma tentativa de acender as luzes do Cristo a partir de Roma, com um sinal de rádio enviado pelo famoso inventor Marconi. Infelizmente, as condições meteorológicas impediram o sucesso da operação naquela noite.

·         Sobreviveu a vários raios: O Cristo Redentor é frequentemente atingido por descargas elétricas durante tempestades tropicais. Em 2014, um raio danificou dois dedos da mão direita. Desde então, a estátua passou a ter um sistema de para-raios reforçado, e recebe manutenção constante para preservar a sua integridade.

·         Tem um coração escondido: No interior do peito da estátua, foi colocado um documento simbólico, com os nomes de milhares de brasileiros que contribuíram para a construção, incluindo cartas, objetos e recortes da época — um verdadeiro cápsula do tempo.

·         Não é a maior estátua de Cristo do mundo: Apesar de ser a mais icónica, o Cristo Redentor do Rio foi ultrapassado em altura por outras estátuas mais recentes, como o Cristo de la Concordia (na Bolívia, com 34 metros) e o Cristo Protetor de Encantado (no sul do Brasil, com 43 metros). Ainda assim, nenhuma iguala o impacto visual e cultural do original carioca.

·         Virado para a cidade, não para o mar: Ao contrário do que muitos pensam, o Cristo está virado para o centro urbano do Rio de Janeiro e não para o oceano Atlântico. A intenção era que a imagem abençoasse a cidade e os seus habitantes — uma decisão pensada com significado espiritual.

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