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Cusco, Peru: Onde o passado inca continua a viver

Aninhada nos Andes peruanos, a mais de 3.400 metros de altitude, Cusco é muito mais do que uma simples porta de entrada para Machu Picchu. Antiga capital do império inca, esta cidade mística pulsa história em cada pedra, mistura tradição com modernidade e surpreende todos os que por lá passam. A energia do passado vive lado a lado com a arte, a gastronomia e o quotidiano vibrante dos seus habitantes. Prepare-se: uma visita a Cusco é uma verdadeira viagem no tempo.

Chegar a Cusco: altitude e primeiros passos

A forma mais fácil de chegar é de avião, com voos diários a partir de Lima (cerca de 1h15 de viagem). No entanto, há um pormenor essencial: a altitude. Com os seus 3.400 metros, não é raro os visitantes sofrerem de “mal da altitude”. A melhor estratégia? Descansar no primeiro dia, manter-se bem hidratado e experimentar o tradicional chá de coca – um antigo remédio natural que continua eficaz.

Centro histórico: onde o império e a fé se encontram

A melhor vista para o centro histórico de Cusco é do miradouro de San Cristobal, junto à igreja com o mesmo nome.

O epicentro da cidade é a Plaza de Armas, rodeada por majestosos edifícios coloniais e repleta de vida a qualquer hora do dia. Da Praça sobressai a escultura do imperador Inca Pachacuti.

A Catedral de Cusco, construída no século XVII sobre o antigo palácio do inca Viracocha, é uma obra-prima da arquitetura colonial. No seu interior, deslumbra com altares de prata, talhas douradas, obras da Escola de Cusco e até uma curiosa versão da Última Ceia onde os apóstolos partilham um porquinho-da-índia.

Ao lado, a Igreja da Companhia de Jesus rivaliza em grandiosidade. Nas proximidades, encontra-se a famosa Pedra dos Doze Ângulos, um símbolo da impressionante engenharia inca, localizada num muro da rua histórica Hatun Rumiyoc.

Qorikancha: do ouro dos Incas ao convento espanhol

Outro local imperdível é o Qorikancha, ou Templo do Sol, que foi o centro espiritual do império inca. Embora parte do esplendor dourado tenha sido saqueado pelos espanhóis, as paredes perfeitamente encaixadas continuam a maravilhar os visitantes. Sobre elas ergue-se hoje o Convento de Santo Domingo, num dos mais claros exemplos da fusão (ou sobreposição) entre as culturas inca e colonial.

San Blas: arte, alma e autenticidade

A poucos passos do centro histórico, subindo ruas íngremes e empedradas, encontramos o bairro de San Blas – o reduto dos artesãos, pintores e músicos, onde ficamos alojados. Durante o dia, as lojinhas de arte e os cafés com vista tornam este o local perfeito para passeios tranquilos. À noite, o ambiente transforma-se num espaço boémio, cheio de cor e música. Viver San Blas é conhecer uma Cusco mais íntima e alternativa.

Mercado de San Pedro: sabores e cores da cidade

Projetado por Gustave Eiffel em 1925, o Mercado de San Pedro é o coração do quotidiano cusquenho. Aqui, entre bancas de frutas exóticas, milho gigante com queijo, chás, chocolates e artesanato, mergulha-se nos sabores e aromas da região. Um local obrigatório para quem quer sentir Cusco de forma genuína.

Arredores mágicos: arqueologia viva nos Andes

Cusco está rodeada por sítios arqueológicos impressionantes, todos acessíveis com passeios de meio dia ou dia inteiro:

  • Sacsayhuamán – fortaleza cerimonial com blocos de pedra gigantes; acredita-se que simbolizava a cabeça de um puma.
  • Qenqo – templo dedicado ao culto do Puma, com altares escavados na rocha.
  • Tambomachay – local sagrado ligado à água e à fertilidade.
  • Puca Pucará – antiga atalaia militar com vista para os vales.

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