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Um dia no Douro

A paisagem vinhateira do Douro simboliza bem a relação histórica de proximidade entre o Homem e a Natureza. Nos socalcos verdejantes das montanhas, abrigados dos ventos do oceano Atlântico, cresce um património natural ímpar e responsável pela identidade de uma região e de um país.

O vinho do Porto é o vinho de Portugal. Foi o nosso primeiro embaixador e o principal responsável pela nossa internacionalização no século XVIII.

As vinhas ali enraizadas transformam-se todos os anos, graças a um microclima próprio, para criar a fórmula mágica que dá origem ao néctar dos deuses.

São cerca de 25 mil hectares de vinha, de diferentes castas, distribuídos por 13 concelhos. A Região Demarcada do Douro é a mais antiga região demarcada do mundo, tendo sido instituída a 10 de setembro de 1756 por Marquês de Pombal no reinado de D. José I.

Os barcos rabelos desciam o rio Douro com as pipas até Vila Nova de Gaia, onde se situavam e ainda se situam as caves de vinho do Porto. Daqui partiam para outros destinos.

O Alto Douro Vinhateiro foi, aliás, distinguido pela UNESCO e, em 2001, passou a integrar a lista do Património Mundial da Humanidade.

Turistas de todo o mundo visitam a região à procura da experiência de uma vida. Visitas guiadas a quintas centenárias, degustação de vinhos e gastronomia típica da região, alojamento em turismo rural, passeios a pé, de jipe ou de bicicleta, participação nas vindimas e nas lagaradas, passeios de barco no rio Douro são algumas das atividades que é possível realizar.

O nosso itinerário começou no Peso da Régua, um dos concelhos da Rota do Alto Douro Vinhateiro.

A Ecopista Ribeirinha do Peso da Régua, com mais de 2 km, inicia-se no lugar de Juncal de Baixo. Daqui avistamos as três pontes que atravessam Peso da Régua.

A mais antiga é a Ponte Pedonal metálica. Foi mandada construir em 1872 pelo rei D. Luís I para atravessamento rodoviário do rio Douro. Em virtude da degradação do tabuleiro em madeira, foi desativada em 1949 para ser utilizada como ponte pedonal.

Já a Ponte Ferroviária, construída em 1934 no âmbito da Linha de Lamego, acabou por ser adaptada ao uso rodoviário, uma vez que aquele projeto ferroviário acabou por ser cancelado.

A mais recente, concluída em 1997, a Ponte Miguel Torga recebeu o Prémio de Engenharia da I Bienal Ibero-Americana de Engenharia e Arquitetura pela sua inovação e dificuldade tecnológica.

Com 900 metros de extensão, a ponte atravessa o vale do rio Douro a 90m de altura numa zona muito acidentada, com grandes formações rochosas, junto à Régua, cruzando a linha ferroviária do Douro e duas estradas nacionais.

Prosseguimos até à Quinta da Pacheca, fundada em 1738, para uma visita guiada e uma prova de degustação de vinhos de várias castas. Fomos recebidos num ambiente de grande tranquilidade e descontração. Que bela vista para as vinhas!

Seguimos até ao Pinhão, considerado o centro da Região Demarcada do Douro. Aqui se cruzam os rios Douro e Pinhão e foi neste cais que embarcamos para um cruzeiro.

Da paisagem, vislumbramos vinhas, quintas, hotéis e, claro está, a Ponte Rodoviária sobre o rio Douro, projetada por Gustave Eiffel no século XIX, o mesmo autor da Torre Eiffel, em Paris, da Ponte D. Maria Pia, no Porto, e da Ponte de Viana do Castelo.

Destaque também para a Ponte Metálica Ferroviária sobre o rio, por onde passa o Comboio Histórico do Douro.

O ex-libris do Pinhão é, todavia, a Estação de Caminhos de Ferro. Construída no final do séc. XIX, apresenta 24 painéis de azulejos, datados de 1937 e produzidos pela fábrica Aleluia, com imagens relacionadas com o ciclo da produção vinícola da região.


 

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