O Egipto era um dos destinos de sonho desde a infância. Influenciado pelas histórias do meu herói Indiana Jones, pelo Lawrence da Arábia, bem como pela História Universal, desde bem cedo me imaginei a percorrer os corredores dos templos, a imaginar a descoberta de novos tesouros no Vale dos Reis, bem como a entrar nas pirâmides.
E não é que chegou a oportunidade?
Segunda quinzena de agosto, temperaturas acima dos 45 graus, toca a embarcar com destino a Assuão, para o início de um cruzeiro pelo Nilo até Luxor!
Apesar de estar entre os 30 maiores países com mais de 1 milhão de quilómetros quadrados de terra, o Egipto é um país cuja densidade populacional é muito concentrada. Todas as grandes cidades ficam localizadas na margem do Nilo e as suas populações vivem do que o rio lhes permite cultivar e pescar.
O Nilo entra no Egipto alguns quilómetros a norte de uma cidade sudanesa chamada Wadi Halfa, através de um desfiladeiro estreito que atravessa penhascos de arenito e granito. A direção do rio que flui para o norte reúne a concentração mais intensa do mundo de templos, túmulos e palácios construídos ao longo de 4.000 anos.
Aqui encontramos os templos de Abidos, Dendara, Karnak, Esna, Edfu, Kom Ombo, Philae e Abu Simbel (cada um concebido para as suas respetivas divindades), além dos túmulos na necrópole de Tebas no interior do Vale dos Reis, do outro lado do rio em Luxor.
Absorver a paisagem fluvial no conforto de uma Feluca é o epítome do prazer, apreciado por moradores e turistas. Eu não fui indiferente a essa experiência e embarquei no pequeno barco à vela em Assuão com destino a uma pequena aldeia núbia. Mal desembarquei, fui encaminhado para um camelo e iniciei uma viagem de uma hora pelas margens do rio. Chegado ao centro da aldeia, e uma vez que o calor era um pouco insuportável, lancei-me às águas do Nilo para um refrescante banho. Reza a lenda que quem mergulha no Nilo regressa a este país. Espero bem que assim seja!
A aldeia, muito sinceramente, era demasiado turística, com imensos vendedores insistentes…
Do que mais gostei? Da visita à área da criação dos crocodilos, onde tive a oportunidade de pegar numa cria. Os egípcios mantêm até à atualidade a crença de que o crocodilo os protege do mau-olhado. É comum a presença de algo relacionado com este animal nas casas.
Ainda na zona de Assuão tive a oportunidade de visitar os Templos de Ramsés II e de Nefertari em Abu SImbel. Com a construção da Barragem de Assuão, estes templos foram transladados entre 1964 e 1968. Devido aos elevados custos desta movimentação, alguns países ajudaram o Egipto com a despesa, e em troca receberam tesouros e templos, como foram os casos do templo de Debod, em Madrid, e o templo de Dendur, em Nova Iorque.
Um dos templos que mais gostei nesta viagem foi o Templo de Philae. Localizado numa ilha perto de Assuão, este templo, dedicado a Ísis, deusa do amor, encontra-se muito bem preservado e a sua localização é idílica.
À medida que o rio continua a fluir para norte, passando por grandes cidades e templos, começa a ramificar-se numa formação (parece uma flor) conhecida como delta do Nilo, cobrindo 240 km. Lar de 39 milhões de pessoas, esta é a terra mais rica em agricultura do Egipto, com algumas das mais belas e revigorantes naturezas que o Egipto tem a oferecer. Aliás, durante o percurso do cruzeiro, é possível acompanhar o desenvolvimento dos cultivos, que na sua grande parte terminam em dunas de areia ou em deserto de rochas.
O Templo de Kom Ombo, construído por ordem de Ramsés II, é dedicado a Sobek, o deus com cabeça de crocodilo e corpo humano. Aqui é possível ver múmias de crocodilos em excelente estado de conservação. Mais uma visita inesquecível.
Dedicado ao deus Horus, o templo de Edfu é um dos maiores do Egipto. Nas suas paredes é possível apreciar numerosas figuras, inscrições e hieróglifos.
Chegados ao final do cruzeiro em Luxor, tivemos oportunidade de visitar os grandes templos da região. Logo a seguir às pirâmides no Cairo, Luxor é o destino mais visitado no Egipto.
Bem no centro da cidade, encontramos o Templo de Luxor. Descoberto em 1884, possui 260 metros de largura e é dedicado a Amon, o deus do vento. Logo na entrada do templo, constatamos a ausência num dos lados de um obelisco, que fiquei a saber mais tarde que tinha sido oferecido aos franceses e colocado na Praça da Concórdia, em Paris.
Antigamente o templo de Luxor e o de Karnak eram ligados pela impressionante Avenida das Esfinges, com mais de 3 quilómetros e que possuía mais de 600 esfinges ao longo da sua extensão. Atualmente só conseguimos ver o início e o fim da avenida junto às respetivas entradas dos templos, mas mesmo assim é imponente.
O Templo de Karnak é o maior templo do Egipto. Com um perímetro superior a 2 quilómetros, possui no seu interior o grande templo de Amon, bem como outros templos menores, capelas e o grande lago sagrado. O grande destaque do templo consiste nas 134 colunas com mais de 23 metros de altura.
A caminho do Vale dos Reis, localizado a 10 quilómetros de Luxor, tive a possibilidade de visitar a entrada do templo de Hatsheput, dedicado à única mulher que reinou o país durante um longo período. A sua grande fachada foi esculpida diretamente na rocha e é incrível! Ainda em direção ao Vale dos Reis, visitei os Colossos de Mémnon, duas estátuas enormes de Amenófis III, construídas para serem as guardiãs do templo funerário do faraó. Diz a lenda que, após um terramoto, um dos colossos ruiu e o que ficou intacto passou a cantar ao amanhecer. No início do século III, um imperador romano reconstruiu a estátua que havia caído e a outra deixou de cantar… Mistérios…
Chegado ao Vale dos Reis, é impossível não ficar boquiaberto com a imensidão do local. Até à data foram descobertos mais de 60 túmulos talhados nas rochas, mas muito mais está por descobrir. Aliás, é possível observar no local algumas escavações “patrocinadas” pelo Discovery Channel de outros possíveis tesouros.
No Vale dos Reis, descansam numerosos faraós do Império Novo e é uma das visitas imprescindíveis! O bilhete dá acesso a 3 túmulos à escolha com a exceção do túmulo de Tutankamon, que “obriga” à compra de um bilhete à parte.
Convém recordar que nos Túmulos já não encontramos nenhum dos tesouros, uma vez que esses foram transportados e estão expostos no Museu do Cairo. Podemos sim observar registos fotográficos de como e o que foi encontrado em cada um deles, bem como os belíssimos hieróglifos nas paredes.
Findo o cruzeiro e respetivas visitas aos templos ao longo do rio Nilo, parti em direção a Hurghada, à procura de praia e muito mergulho!
Assim como o Nilo, a costa do Mar Vermelho tornou-se numa parte fundamental do turismo no país. Ondas azul-turquesa quebram contra a areia rochosa de praias, no primeiro plano de uma cordilheira sem fim.
Destaco os recifes da ilha junto a Hurghada e as localidades menores de Port Safaga, El-Quseir e Marsa Alam ao sul.
Toda esta região viu uma rápida transformação nas últimas duas décadas, catalisada por ondas de turistas anuais, e cujo notável desenvolvimento irá levar à construção da nova capital do Egipto perto desta costa.
Mergulho com tubarões, snorkeling e kitesurf são complementados pelos efeitos revitalizantes de spas, campos de golfe de 18 buracos, praias particulares, cinemas ao ar livre e espaços noturnos incomparáveis.
Para quem não é certificado em mergulho, e devido a uma má experiência, reforço a ideia de que devem pesquisar bem as escolas de mergulho onde pretendem efetuar o curso de mergulho. No meu caso, fui enganado e o certificado do PADI emitido pela escola não era válido…
Se há algo que posso dizer sobre esta viagem é que o povo egípcio em todo o país compartilha uma característica muito semelhante – a sua simpatia.
Os egípcios são um povo muito caloroso e sociável que está sempre pronto a iniciar uma conversa. Oferecem instruções ou assistência, quer tenha pedido ou não, e farão de tudo para levá-lo onde necessitar.
A cultura do Egipto tem muito a oferecer tanto aos residentes como aos turistas que desejam experimentar o seu charme. Interessado na sua história antiga ou simplesmente à procura de uma aventura, o Egipto é o seu destino!
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