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“Ó Elvas, ó Elvas

Badajoz à vista

Sou contrabandista

De amor e saudade

Transporto no peito

A minha cidade”

Assim cantava o alentejano Paco Bandeira no refrão que facilmente trauteamos quando falamos de Elvas, cidadã fundada no século XIII pelo rei D. Sancho II.

Por estar situada na fronteira com Espanha, Elvas foi um importante ponto estratégico de defesa, assumindo-se como a maior fortificação abaluartada terrestre do mundo. As estruturas defensivas em forma de estrela, com um perímetro de cerca de 10 km, ocupam uma área de 300 hectares.

Do conjunto militar fazem parte muralhas islâmicas e medievais, as muralhas abaluartadas que foram construídas no século XVII, no âmbito da Guerra da Restauração da Independência frente a Espanha, e que têm influências da arquitetura militar holandesa, os Fortes de Santa Luzia (séc. XVII) e da Graça (séc. XVIII), e os fortins de São Mamede, São Pedro e São Domingos (século XIX). As fortificações de Elvas serviram de base aos exércitos aliados anglo-luso-espanhóis, liderados pelo General Wellington, durante as Guerras Napoleónicas na Península Ibérica, no início do séc. XIX.

Em 2012, o centro histórico de Elvas, as suas muralhas, o seu aqueduto e as suas fortificações foram classificadas pela UNESCO Património Mundial da Humanidade.

 

Forte da Graça

É um exemplo notável da arquitetura militar do séc. XVIII. Construído num monte bastante elevado, onde se situava a pequena ermida de Santa Maria da Graça, o Forte da Graça ou de Lippe é considerado uma das mais poderosas fortalezas abaluartadas do mundo.

Começou a ser edificado em 1763 por Wilhelm, Conde de Schaumbourg-Lippe, e inspirado na arquitetura militar de estilo Vauban. As obras terminaram apenas em 1792. Nessa altura, tinha 144 bocas de fogo e resistiu a vários ataques inimigos.

Em 1856 foi criada no forte uma companhia de correção e em 1894 um depósito disciplinar onde estiveram vários presos políticos até 1974.

Em 2015, depois de uma intervenção profunda de restauro, reabriu ao público para visitas.

 

Forte de Santa Luzia

Construído num outeiro entre 1641 e 1648, foi fundamental durante as Guerras da Restauração entre Portugal e Espanha.

Entre 1999 e 2000, foi adaptado a Museu Militar, dando a conhecer ao visitante a história militar da cidade bem como vários artefactos de guerra que marcaram as várias épocas.

 

Aqueduto da Amoreira

Construído entre 1530 e 1622 para o abastecimento de água à cidade, o Aqueduto da Amoreira tem 1367 metros de galerias subterrâneas e mais de 5 quilómetros e meio à superfície com arcadas que chegam a superar os 30 metros de altura. Foi construído pelo mesmo autor da Torre de Belém, em Lisboa, o arquiteto Francisco de Arruda.

 

Castelo de Elvas

Momento Nacional desde 1906 (o primeiro a ser classificado), o Castelo de Elvas tem as suas origens numa fortificação islâmica, tendo sido reconstruído nos séculos XIII e XIV. A Torre de Menagem foi reconstruída em 1488. Já o aspeto atual do castelo remonta ao século XVI.

Foi residência do alcaide de Elvas e o cenário de importantes acontecimentos históricos, como a assinatura de tratados de paz, a troca de princesas ou a realização de banquetes de casamentos reais.

Na segunda metade do século XIX, perdeu a sua função militar e foi abandonado. Foi depois restaurado até ao início do século XX.

 

Pelourinho

Localizado no Largo de Santa Clara, encontra-se o pelourinho que foi reconstruído, na década de 40 do século XX, a partir de uma gravura do original.

Feito em mármore, de estilo manuelino, o pelourinho original foi erigido no século XVI na então denominada Praça Nova (atual Praça da República), onde esteve até 2 de outubro de 1872, dia em que foi destruído.

 

Igreja das Domínicas

O interior faz lembrar a charola do Convento de Cristo, em Tomar, por apresentar uma planta centralizada e octogonal. Construída entre 1543 e 1557, no local onde existia a antiga Igreja de Santa Maria Madalena, da Ordem dos Templários, a Igreja das Domínicas fazia parte de um complexo conventual, extinto em 1870- o Mosteiro das Freiras de S. Domingos. A parte do convento foi demolida, ficando apenas a capela octogonal e o seu zimbório, sendo revestida no seu interior de azulejos do século XVII.

 

Igreja de Nossa Senhora da Assunção / Sé Catedral

Começou a ser construída em 1517, como igreja de Nossa Senhora da Praça, num projeto do arquiteto Francisco de Arruda, o mesmo que assinou o projeto do Aqueduto da Amoreira.

Entre 1570 e 1881, com a criação do bispado de Elvas pelo Papa Pio V, foi transformada na Sé de Elvas.

Monumento Nacional desde 1910, integra desde 2014 um roteiro nacional de Turismo Militar e foi alvo de um trabalho profundo de restauro no início deste século.

 


 

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