Património Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 1986, Évora é uma autêntica cidade-museu.
O centro histórico por si só guarda vestígios de ocupações romana, visigótica e árabe, alguns dos quais com mais de dois mil anos.
Por situar-se na confluência dos rios Tejo, Guadiana e Sado, Évora foi atravessada por importantes vias e rotas comerciais da província imperial da Lusitânia.
Durante o período de ocupação romana, Évora recebeu a designação de Ebora Liberalitas Julia.
Foi conquistada aos mouros em 1165, integrando o reino de Portugal. No século XV, Évora foi escolhida como residência dos reis D. João I e D. Filipa de Lencastre, tendo prosperado sobretudo entre os séculos XVI e XVII, com os Descobrimentos.
Dos grandes monumentos instalados na época, destaca-se o Colégio do Espírito Santo, a sua universidade, a segunda mais antiga do país e uma das mais antigas do mundo ainda em funcionamento. A Universidade de Évora foi fundada em 1559 pelo Cardeal Infante D. Henrique.
Com a expulsão dos jesuítas em 1759, inicia-se a decadência de Évora. Ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX (início), uma parte importante do casario foi demolido para dar lugar a outro tipo de construções face à necessidade de a cidade se adaptar a novos modos de vida.
A melhor forma de conhecer o centro histórico de Évora é mesmo a pé.
Praça do Giraldo
Considerada o epicentro da cidade desde o século XVI, a Praça do Giraldo (antiga Praça Grande) deve o seu nome ao cavaleiro Geraldo Geraldes, o “Sem Pavor”, responsável pela conquista de Évora aos mouros em 1167.
A Fonte da Praça do Giraldo, quinhentista, de estilo barroco, é feita de mármore e tem oito bicas, cada uma corresponde a uma das ruas que desembocam na praça. No topo, foi colocada, em 1619, uma coroa por ordem do rei Filipe III de Espanha.
Atrás da fonte, ergue-se a Igreja de Santo Antão, mandada construir por D. Henrique em 1557.
Templo Romano de Diana
É o monumento mais antigo da cidade e um dos mais bem preservados templos romanos da Península Ibérica. É um símbolo do culto imperial. Construído no século I d.C., é dedicado à deusa Diana. Foi restaurado no século XIX.
Sé Catedral de Évora
É a maior catedral medieval de Portugal. Foi construída entre os séculos XII e XV e apresenta diferentes estilos, combinando o gótico com o barroco. O terraço oferece uma vista panorâmica sobre a cidade, dentro e fora de muralhas. No antigo edifício que albergava os Moços do Coro da Sé, entretanto requalificado, funciona o Museu de Arte Sacra, que dá a conhecer ao visitante inúmeras peças religiosas (algumas das quais data do século XII) de joalharia, escultura, pintura, mobiliário ou paramentos.
Igreja de S. Francisco
Monumento Nacional desde 1910, a Igreja de S. Francisco, de estilo gótico- manuelino, foi construída no chamado período de Ouro de Évora, entre os séculos XV e XVI, sob um antigo convento do qual restam poucos vestígios, nomeadamente o a igreja e o claustro. Terá sido a primeira casa da Ordem Franciscana em Portugal, fundada no século XII.
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o edifício entrou em declínio. Grande parte do convento foi vendido em hasta pública ao benemérito eborense Francisco Barahona, que mandou construir as habitações ainda hoje existentes e colaborou no restauro da igreja e da Capela dos Ossos.
Já no século XXI, entre 2024 e 2025, realizaram-se profundas obras de reabilitação nos vários espaços do antigo convento.
Capela dos Ossos
“Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. É a frase que nos recebe à entrada da Capela dos Ossos, na Igreja de S. Francisco, e pretende suscitar uma reflexão sobre a efemeridade da vida. Desde o século XVI que as paredes e os pilares estão revestidos de crânios e ossos humanos, provenientes do antigo convento.
No teto abobado, destacam-se os frescos, datados de 1810, com símbolos ilustrados por passagens bíblicas e outros com os instrumentos da Paixão de Cristo.
No interior da capela encontram-se ainda dois corpos mumificados e uma arca tumular feita em 1674 para acolher presumíveis ossos dos fundadores do convento (século XIII).
À saída da capela, na parede fronteira, sobressai um painel de azulejos, da autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira em 2015.
Núcleo Museológico
Com as obras de requalificação de 2014-2015, o antigo dormitório dos frades foi recuperado para ali ser instalado um Núcleo Museológico. Do acervo fazem parte obras de pintores como Francisco João e António de Oliveira Bernardes, esculturas dos séculos XVI a XVIII, uma coleção de ourivesaria sacra da mesma época, com especial incidência nos ourives locais, paramentaria e objetos devocionais, num circuito cronológico e interpretativo da vida religiosa e social eborense.
Coleção de Presépios Canha da Silva
Nas duas galerias superiores da igreja, estão expostos os presépios da coleção particular do Major-General Fernando Canha da Silva e da sua esposa Fernanda. São centenas de presépios nacionais e internacionais de inúmeros artesãos, de tamanhos, formatos e materiais diversos.
Museu do Artesanato e do Design de Évora
Abriu as portas em 2011 no antigo Real Celeiro Comum. Acolhe a coleção do antigo Museu do Artesanato/Centro de Artes Tradicionais, promovendo a memória dos ofícios tradicionais do Alentejo e inserindo a produção artesanal no contexto do design, explorando assim novas conotações sociais e antropológicas.
Aqueduto da Água de Prata
O Aqueduto da Água de Prata é uma impressionante obra de engenharia, com mais de 18 km de extensão. Começou a ser construído em 1531 para fornecer água potável à cidade e foi concluído em 1537. É Monumento Nacional desde 2010 e integra o conjunto classificado pela UNESCO.
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