“Aqui nasceu Portugal”. A expressão, exibida numa das portas fortificadas da cidade de Guimarães, dá-nos as boas-vindas.
Guimarães, diz-se, é conhecida como o Berço da Nação. As suas ruas e o seu centro histórico (classificado em 2011 pela Unesco como Património Mundial da Humanidade) transpiram História, Cultura e Portugalidade.
Começamos pela estátua de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, da autoria de Soares dos Reis.
Inaugurada em 1887, a estátua, em bronze, elevada num pedestal de granito, apresenta-nos D. Afonso Henriques, o Conquistador, segurando, com ambas as mãos, a espada e o escudo.
Logo atrás, encontramos o Castelo de Guimarães, classificado como Monumento Nacional desde 1908. Em forma de escudo, a sua origem remonta ao século X. Está associado ao período da fundação da nacionalidade portuguesa e à Batalha de S. Mamede. A 24 de junho de 1128, trava-se a batalha de S. Mamede, liderada por D. Afonso Henriques, pela independência deste território e contra as tropas de Castela, apoiadas pela sua mãe D. Teresa. Desta batalha saiu vencedor D. Afonso Henriques.
Junto ao castelo, ergue-se a Igreja de São Miguel do Castelo, também conhecida como Capela de São Miguel do Castelo. Classificada como Monumento Nacional desde 1910, está associada ao batismo de D. Afonso Henriques. No interior, a pia sagrada usada na cerimónia do batismo e alguns dos túmulos dos guerreiros que auxiliaram D. Afonso Henriques na Batalha de S. Mamede.
Percorrendo os jardins, avistamos o imponente Palácio dos Duques de Bragança, com 39 chaminés. Casa senhorial do século XV, foi mandada construir pelo primeiro Duque de Bragança, D. Afonso. Após o seu abandono, serviu de quartel militar durante as invasões francesas (até 1935). Em pleno Estado Novo, foi restaurado e transformado em museu. Classificado Monumento Nacional em 1910, o Palácio dos Duques de Bragança apresenta coleções de tapeçaria, mobiliário, cerâmica, pintura e armaria.
Seguimos até ao Largo da Oliveira, onde proliferam as esplanadas e a animação. O largo deve o seu nome a uma oliveira ali existente. Reza a lenda que, no séc. XIV, existia uma oliveira que, entretanto, terá secado. Em 1342, foi colocada uma cruz junto à oliveira que, três dias depois, rejuvenesceu, gerando novos rebentos. O milagre foi atribuído a Nossa Senhora da Vitória que, posteriormente, passou a ser chamada de Nossa Senhora da Oliveira.
A oliveira foi removida em 1870. Em 1985, com o restauro do largo, foi novamente colocada uma oliveira no lugar original.
No Largo da Oliveira, encontramos a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, um dos mais significativos exemplares de arquitetura gótica no norte do país. Classificada como Monumento Nacional desde 1910, a sua origem remonta à primeira metade do século X e a um mosteiro criado pela Condessa Mumadona Dias.
Ao longo dos séculos, foi sendo alvo de várias obras de conservação e restauro. Um novo edifício começou a ser construído em 1387, cumprindo um desejo do rei D. João I antes da Batalha de Aljubarrota. Já a torre é posterior, do século XVI, e tem influência do estilo manuelino.
À frente da Igreja, situa-se o Padrão do Salado. Classificado em 1910 como Monumento Nacional, consiste num alpendre, de estilo gótico, construído para comemorar a vitória obtida pelo rei D. Afonso IV na batalha do Salado, em 1340. No centro existe um cruzeiro com Cristo crucificado e Nossa Senhora.
Prosseguimos até ao Largo do Toural, a praça principal de Guimarães, cuja primeira referência remonta ao século XVII. Aqui se realizavam feiras de gado e touradas. Ao longo dos séculos, foi sofrendo alterações face ao crescimento da construção de habitação e de espaços comerciais. Em 1878 abre ao público o Jardim Público nesta zona, tornando-se o centro da vida social de Guimarães, fenómeno que ainda se mantém.
Em 1910, o Jardim Público é transferido para um outro local. No centro do Largo do Toural é colocada a estátua de D. Afonso Henriques. Anos mais tarde, foi transferida para o local onde se encontra atualmente. No Largo do Toural, fica uma fonte. Com a requalificação em 2012 (ano de Guimarães Capital Europeia da Cultura), a fonte foi retirada e foi reposto um chafariz renascentista que ali tinha estado no século XVI.
Quem passa pelo Largo do Toural, depara-se ainda com a igreja Basílica de S. Pedro que, em 1750 foi benzida e acolheu a imagem do santo padroeiro.
Um ano depois, por indulto da Santa Sé, recebeu o título de Basílica pelo Papa Benedito XIV, a primeira igreja a receber essa distinção na Arquidiocese de Braga. Entre os finais do século XIX e início do século XX, foi alvo de obras de remodelação.
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