A ilha Terceira foi a nossa segunda incursão pelo arquipélago dos Açores. Depois de S. Miguel, ficamos com vontade de conhecer todas as ilhas!
Muito menos turística, com uma paisagem natural arrebatadora, a ilha Terceira oferece um pouco de tudo ao visitante: da gastronomia aos desportos náuticos, da cultura de Vitorino Nemésio à observação de baleias e golfinhos, da tourada de corda às festas religiosas, dos trilhos aos miradouros.
Para circular pela ilha, o melhor mesmo é alugar um carro. A Terceira é bem servida de estradas. Recorremos à Gold Car. Para outras opções de aluguer e beneficiar de descontos, aceda à página https://www.goldcar.es/pt/
Descoberta entre finais de 1420 e inícios de 1430, a ilha Terceira (inicialmente Ilha de Jesus Cristo) começou a ser povoada apenas a partir de 1470. Uma das imagens de marca são os “Impérios do Espírito Santo”, templos destinados ao culto do Divino Espírito Santo (desde o século XVI) que se caracterizam pelas suas cores garridas. São 71 “Impérios” espalhados pela ilha, a maioria dos quais em Angra do
Angra do Heroísmo
Visitamos a ilha Terceira em dezembro e deparamo-nos com as típicas decorações de Natal, nas ruas, praças e lojas, e toda uma programação especial com direito a concertos e mercadinho de rua.
Ficamos hospedados no Hotel Terceira Mar, em Angra do Heroísmo, com uma vista fantástica para o Monte Brasil.
Em dias de bom tempo, é possível vislumbrar no horizonte as ilhas de S. Jorge e do Pico.
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A cidade de Angra do Heroísmo parece saída de um conto de fadas. Fundada em 1534, é conhecida pela sua baía. De um lado a praia e a marina, do outro o porto das Pipas, junto ao Forte de S. Sebastião.
Construído no século XVI, é também conhecido como Castelo de S. Sebastião ou “Castelinho” e resistiu a ataques de piratas e corsários como o inglês Francis Drake.
O Forte S. Sebastião alberga atualmente a Pousada de Angra do Heroísmo (Pousadas de Portugal/ Grupo Pestana) e oferece uma vista privilegiada para o Monte Brasil e para a baía.
É obrigatório percorrer o centro histórico de Angra do Heroísmo, classificado em 1983 Património Mundial pela UNESCO, e perder-se pelas suas artérias. Esperam-nos um mundo de casas senhoriais, conventos e igrejas coloridas, praças e jardins, museus e palácios, monumentos e ruas decoradas pela calçada portuguesa, cafés, pastelarias, lojas e restaurantes.
No Alto da Memória, existe um miradouro com uma vista incrível para a cidade. É lá que encontramos o Obelisco do Alto da Memória, erigido em 1856, em homenagem a D. Pedro IV.
O monumento foi construído com as pedras do antigo castelo dos Moinhos e assinala a passagem do imperador pela ilha, em 1932, durante a guerra civil travada com o seu irmão D. Miguel.
Do lado oposto, surge-nos no horizonte o Monte Brasil.
Monte Brasil
Formou-se a partir de um antigo vulcão extinto, com origem no mar. As vistas do Monte Brasil valem mesmo a pena. De um lado, a baía de Angra do Heroísmo, do outro, a baía do Fanal. Em frente, o oceano.
Contemple o contraste entre a vegetação verde na caldeira do antigo vulcão e o azul do céu.
Se tiverem oportunidade, experimentem fazer este trilho, com 7,4 km. Começa junto à Fortaleza S. João Batista (finais do século XVI), onde se encontra a Zona Militar, e percorre toda a Reserva Florestal do Recreio do Monte Brasil, passando pela ermida de Santo António da Grota e pelos picos Zimbreiro, do Facho, das Cruzinhas (onde estão expostas antigas peças de artilharia antiaérea da 2ª Guerra Mundial e o monumento ao V Centenário do Povoamento da ilha Terceira) e da Quebrada (vigia da baleia).
Ao longo do percurso, é frequente cruzarmo-nos com veados, galinhas, gatos, aves, entre outros animais, e inúmeras espécies de flores e plantas.
Piscinas Naturais
A ilha Terceira tem imensas piscinas naturais! Cada uma mais incrível do que a outra! Aliás, ficamos com imensa vontade de voltar à Terceira no verão para podermos usufruir da experiência!
A maior parte está equipada com infraestruturas de apoio, como instalações sanitárias, chuveiros ou bares (no verão).
Partindo de Angra do Heroísmo, seguindo em direção à zona leste da ilha, passamos por locais ótimos para banhos como a Zona Balnear da Silveira, as Piscinas de Negritos ou as Piscinas das Cinco Ribeiras. Se prosseguirmos sempre pela costa, vamos encontrar mais piscinas naturais no norte da ilha.
Pelo caminho pela costa, paramos em locais como o Forte e a Igreja de S. Mateus da Calheta, a fábrica de Queijo da Vaquinha, os caminhos rurais das Doze Ribeiras, o miradouro da Serreta, onde é possível avistar as ilhas Graciosa e S. Jorge, e a Ponta do Queimado.
No norte da ilha, são famosas as Piscinas de Biscoitos, mesmo ao lado das Trincheiras Militares, bem como as vinhas de Biscoitos. Logo ali perto, surgem as Piscinas Naturais da Calheta dos Lagadores e, mais à frente, a Baía das Quatro Ribeiras. Seguem-se as Piscinas Naturais das Escaleiras.
Na zona ocidental da ilha, as zonas de Porto Martins, Salgueiros, Baía da Salga, Porto Judeu e Fajã do Fisher são igualmente procuradas por banhistas.
Base das Lages
Quem aterra na ilha Terceira, aterra na pista da Base Aérea das Lages, criada durante a Segunda Guerra Mundial e que foi inicialmente utilizada pelas forças britânicas. Além das Forças Armadas Portuguesas, serve, até hoje, as Forças Armadas dos Estados Unidos da América. Bem perto, encontramos o chamado “Bairro Americano”, onde foram construídas casas para acolher os militares e as suas famílias durante o período em que estão ao serviço. A área é vedada.
A melhor vista para a Base Aérea das Lages é o miradouro General Humberto Delgado, onde se tem bem a perceção da dimensão da pista (4 km!).
Praia da Vitória
Deve o seu nome à vitória, em 1829, sobre as tropas absolutistas de D. Miguel, que tentavam desembarcar no areal, durante o período das guerras liberais.
A melhor vista para a cidade da Praia da Vitória é do miradouro do Facho, onde foi erigido o Monumento ao Imaculado Coração de Maria. Foi instalado no local um baloiço a pensar nas fotos instagramáveis, tendo como cenário a marina, a praia e o casario.
A Praia da Vitória é muito procurada pelos desportos e atividades náuticas.
Percorrer a pé o centro histórico é obrigatório. Vale a pena a passagem pela Casa-Museu do escritor Vitorino Nemésio, a Biblioteca Pública Silvestre Ribeiro, a Igreja do Senhor Santo Cristo das Misericórdias, o Império da Caridade ou o Paul da Praia da Vitória, uma área de lazer num ambiente urbano convidativa a caminhadas na natureza, entre lagos e patos.
Entre Praia da Vitória e Angra do Heroísmo, no caminho pela costa vale a pena parar em locais como Porto Martins (piscina natural), Baía das Mós (com vista para o ilhéu da Mina) e Ponta das Contendas (Farol). No horizonte, surgem os ilhéus das Cabras, de origem vulcânica, que acolhem inúmeras espécies de aves e pequenos cetáceos. Parecem um queijo partido ao meio. É impossível não reparar nos ilhéus.
A melhor vista, ao contrário do que tudo o que me havia sido recomendado, é mesmo da Fajã do Fischer (Miradouro da Laginha), formada graças a uma erupção vulcânica do Algar do Carvão.
Santa Bárbara e Mistérios Negros
Para quem gosta de montanhas, a Serra de Santa Bárbara é de visita obrigatória, ainda que seja preciso ter sorte com o tempo. É o ponto mais alto da ilha, a 1021 metros de altitude, e integra a Reserva Natural da Serra de Santa Bárbara e dos Mistérios Negros, que ocupa uma área com cerca de 1587 hectares. Há sempre o risco de chegar lá acima e não se ver um palmo à frente do nariz. Foi o que nos aconteceu…
A Serra de Santa Bárbara tem origem no mais antigo vulcão da ilha Terceira, com cerca de 25 mil anos. Como tal, integra a Rede Natura 2000 e está classificada como geossítio do Geoparque Açores – Geoparque Mundial da UNESCO.
Para quem gosta de aventura, existe o trilho dos Mistérios Negros, uma rota circular com 4,9 km, que permite percorrer parte da reserva. Inicia-se junto à Lagoa do Negro e à Gruta do Natal.
Lagoa do Negro e Gruta do Natal
A Lagoa do Negro está associada a uma lenda…diz-se que, há alguns séculos, a filha de um nobre na Terceira se apaixonou por um escravo negro. Era um amor proibido, socialmente inaceitável…além disso, a filha tinha já à sua espera um casamento de conveniência…
O escravo foi perseguido, fugindo pelos campos e montes. Exausto, começou a chorar e das suas lágrimas nasceu uma lagoa. Atirou-se para a água e afogou-se…assim, surgiu o nome.
Por debaixo da Lagoa do Negro, localiza-se a Gruta do Natal, um tubo de lava com 697 metros de extensão, uma altura máxima de 12 metros e uma largura máxima de 7 metros.
A Gruta do Natal faz parte da Rede Natura 2000. Já teve vários nomes ao longo dos anos, como “Galeria Negra” ou “Gruta do Cavalo”. A sua designação atual teve início em 1969, com a celebração de uma missa na gruta, no dia de Natal.
A sua exploração turística é relativamente recente e é da responsabilidade da associação “Os Montanheiros”. Foi construída uma casa de apoio no local, onde é possível adquirir o bilhete de acesso. Para quem quiser visitar a Gruta do Natal e o Algar de Carvão, existe um pack que fica mais em conta.
O capacete é obrigatório e percebe-se porquê. Há determinadas passagens no percurso em que é preciso ter cuidado para não dar com a cabeça nas estalactites.
Calçado apropriado para um “pavimento” desnivelado, bem como um impermeável para a humidade são altamente recomendados.
Gostamos imenso da Gruta do Natal. Graças ao sistema de iluminação, apreciamos as cores e as marcas das manifestações vulcânicas. Ficamos agradavelmente surpreendidos pelo ambiente.
Lagoa das Patas
No interior da ilha Terceira, encontramos a Reserva Florestal de Recreio da Lagoa das Patas. Sim, é mesmo verdade. A lagoa tem mesmo patas…e/ou patos! É alimentada por uma ribeira de água proveniente da Serra de Santa Bárbara. O verde dos arbustos contrasta com o vermelho da terra e as cores das flores.
Para quem tem filhos, é um passeio que vale a pena. É uma espécie de bosque, onde foi criado um parque de lazer. Vimos pessoas a atirar pão para os patos e foi a loucura. De repente, juntam-se todos, num chilrear estridente.
Furnas do Enxofre e Algar do Carvão
As Furnas do Enxofre da Terceira não têm nada a ver com as de S. Miguel. São de menor dimensão e de menor projeção. Aqui também não há o Cozido das Furnas!
Ainda assim, este local merece uma visita. Foi criado um circuito próprio e seguro para os visitantes, integrado na paisagem, com painéis informativos sobre os elementos naturais presentes ao longo do percurso pela zona das fumarolas.
Seguimos até ao Algar do Carvão, classificado geossítio do Geoparque Açores e considerado o ex-libris da Terceira do ponto de vista turístico.
Trata-se de uma chaminé vulcânica com 90 m de profundidade, formada há cerca de 3200 anos devido à drenagem do magma da chaminé principal, que regrediu para a câmara magmática.
Com uma cratera de 15 x 20 m, termina numa lagoa de águas límpidas com 15 m de profundidade.
A primeira exploração data de 1893, mas só em 1963 passou a ser feita de uma forma regular pela associação “Os Montanheiros”.
Para facilitar o acesso, foi construído um túnel de 44 metros até ao interior do algar (1965-66). Em 1977, foi construída a atual escadaria em betão, com 300 m, alargada em 2003.
Tal como a Gruta do Natal, aconselha-se calçado adequado e impermeável. A iluminação no local torna possível apreciarmos as estalactites e estalagmites de diferentes tonalidades. Achamos que vale a pena a visita, mas ficamos desiludidos. Demasiado “turístico”, na nossa opinião.
Caldeira de Guilherme Moniz
A Caldeira Guilherme Moniz ocupa toda a zona central da ilha.
A caldeira é também a abertura do vulcão da Serra do Morião e o maior reservatório de água da Terceira, com nascentes, fumarolas e grutas e outras formações de origem vulcânica. Se tiverem oportunidade, experimentem o trilho da Serra do Morião, com 9,8 km.
Miradouro da Serra do Cume
É outro dos locais da ilha Terceira mais “instagramáveis”. Falamos da Serra do Cume, com 545 m. O miradouro ali construído permite uma vista fabulosa da “manta de retalhos” que os campos agrícolas compõem e dividem com muros de pedra.
Durante a Segunda Guerra Mundial, graças à sua visibilidade e localização estratégica, a Serra do Cume acolheu instalações militares subterrâneas, entretanto abandonadas. Hoje, naquele local situa-se um parque eólico para produção de energia.
Serra da Ribeirinha e Pico Dona Joana
No sul da ilha, destacaria a Serra da Ribeirinha (410 m) e o Pico Dona Joana (331 m).
A Serra da Ribeirinha, com dois miradouros, proporciona uma vista sobre as freguesias da Ribeirinha e da Feteira, e os ilhéus das Cabras. Ao longe, a cidade de Angra do Heroísmo e o Monte Brasil.
Ainda na freguesia da Feteira, visitamos o Pico da Dona Joana, um cone vulcânico com cerca de 500 m de diâmetro que, na sua parte mais alta, atinge os 331 m.
O acesso é difícil, pois os campos são propriedade privada e estão devidamente vedados. Conseguimos visualizar o cone graças ao drone. E sim, as imagens são fabulosas! Até vacas pastam na cratera bem lá em cima!
Já estamos com saudades!
Gostamos imenso da Terceira! Encontramos um clima ameno, praias e piscinas naturais fantásticas, campos verdes pintados por vacas, gente simpática e acolhedora, trilhos, grutas e montanhas incríveis para aventureiros, e, claro, a gastronomia! Provamos a tradicional Alcatra à Moda da Terceira, as lapas (não havia cracas naquela altura do ano), a morcela, os queijos, os licores, as queijadas da Dona Amélia e do Conde da Praia da Vitória, entre muitas outras iguarias típicas da região.
Ficamos com vontade de voltar um dia!
De preferência no verão!
Quem sabe?
Vídeos
Heroísmo e Praia da Vitória.
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