Das praias ao deserto, do património histórico à gastronomia, dos arranha-céus aos mercados tradicionais, a Jordânia é um país incrível que merece uma visita.
Localizada no Médio Oriente, entre a Arábia Saudita, Iraque, Síria, Israel e o Egipto, a Jordânia espelha a mistura de influências de inúmeras civilizações das quais herdou uma riqueza histórica.
Fizemos um itinerário de 10 dias por vários locais. Petra dizia-nos muito. Sonhávamos com esta viagem desde “Indiana Jones e a Grande Cruzada”. O nosso ponto de partida foi esse sonho e descobrimos que havia muito mais para descobrir. Criámos um TOP 15 das nossas aventuras na Jordânia.
1- Petra é uma das sete novas maravilhas do mundo desde 2007 e é Património Mundial da Humanidade da Unesco desde 1985. Conhecida como a “cidade rosa”, Petra foi, há mais de 2 mil anos, a capital do império dos nabateus por mais de 500 anos. Foi descoberta no século XIX. Nas montanhas rosas, esculpiram templos e túmulos, acompanhados por um sistema- avançado para a época, de escoamento de água. Petra tem um museu próprio logo à entrada. Seguem-se lojas, bilheteira, casas de banho e cafés. O caminho até chegar ao Siq, o famoso desfiladeiro onde Indiana Jones cavalgou no filme, ainda é longo e difícil, sobretudo debaixo de um sol intenso. Há até um negócio para quem quiser alugar um cavalo ou um carrinho de golfe para transportar até ao Siq. Não foi o nosso caso! Foi tudo a pé.
Ao longo do percurso, começam a surgir as primeiras estruturas construídas, entre as quais o Túmulo do Obelisco, construído pelos nabateus no século I d.C.
Chegando ao Siq, espera-nos um percurso de mais de 1 km até ao icónico El-Khazneh, o Tesouro, um túmulo construído no século I d.C. com colunas e esculturas lindíssimas. É uma experiência incrível. Somos engolidos pelas paredes rosa esculpidas por água durante milhares de anos. Conforme nos vamos aproximando do fim, ouve-se o burburinho.
Somos surpreendidos pela dimensão do Tesouro. Imediatamente, somos assoberbados pela quantidade de gente. São os turistas de telemóvel em riste, são os vendedores, são os camelos, são pessoas que nos convidam a subir a montanha para tirar a melhor foto do local e a beber um chá…tudo por um preço, claro. É uma máfia. Não se recomenda de todo.
Prosseguimos até outros túmulos, uns da realeza, outros destinados ao povo, mais simples. Segue-se um anfiteatro romando e outros vestígios da ocupação como colunas, esculturas e templos.
Bem maior que o Tesouro é o Mosteiro (Al-Deir). Verdadeiramente imponente, é muito menos visitado. O seu acesso é difícil. São mais de 800 degraus, sendo que a maior parte são pedras de diferentes tamanhos. Não é fácil, principalmente com temperaturas de quase 40 graus. Há quem recorra a burros para subir. Não o fizemos. Somos contra este tipo de exploração. Subimos e ficamos maravilhados.
Mais à frente, um letreiro indica-nos a melhor vista de Petra. Andamos, andamos, andamos. Sim, vale a pena. É uma vista para o deserto e toda a sua dimensão.
2- Pequena Petra – É um local outrora habitado pelos nabateus no século I d.C e que tem, apesar de semelhanças, menor dimensão em relação a Petra. Inúmeros túmulos, templos, canais de água e desfiladeiros tornam igualmente interessante a visita. Pequena Petra (Siq al-Barid) é frequentemente cenário de espetáculos e de jantares de gala.
3- Wadi Rum – Património Mundial da Unesco desde 2011, o deserto de Wadi Rum não se parece com nada deste mundo.
A primeira paragem antes de chegarmos a Wadi Rum é a antiga estação de comboios Hejaz, importante ferrovia de ligação à Turquia e que foi destruída durante a Revolta Árabe e a 1ª Guerra Mundial. A este acontecimento está ligada a figura de Thomas Edward Lawrence, também conhecido como Lawrence da Arábia. Oficial britânico, participou ativamente na revolta árabe e ficou imortalizado no filme “Lawrence da Arábia”. A sua figura está esculpida numa rocha no deserto, bem como a do seu amor proibido Selim Ahmed.
A derrota ditou o fim do Império Turco-Otomano. No local, permanece uma locomotiva, onde a bandeira turca foi deixada.
Saímos de jipe para explorar o deserto, navegando pelas dunas. Que emoção! São 742 kms2 de areia cor de laranja, cor de rosa ou branca, formações rochosas vermelhas, grutas, gravuras rupestres…Wadi Rum tem as cores de um tapete persa. Aqui habitam as tribos beduínas.
Passamos por alguns dos locais onde foram gravados filmes como “Perdido em Marte”, “Lawrence da Arábia”, “Transformers” ou “Planeta Vermelho”. Sim, porque Wadi Rum tem muitas cores, mas o vermelho predomina. Há quem diga que Wadi Rum é muito parecido com a superfície do planeta Marte.
Existem rochas cujas formas se assemelham a pontes, animais ou cogumelos. O melhor do dia é assistir ao pôr-do-sol, usufruindo do silêncio do deserto. É um momento mágico. Que privilégio! Os raios cor de laranja ainda brilham quando seguimos até ao acompanhamento. À noite, vemos as estrelas.
4- Mar Vermelho – Aqaba é a única província da Jordânia que é banhada pelo Mar Vermelho. Aliás, de vermelho não tem nada! Nunca vimos um mar assim! Que cor! Que tonalidades diferentes de azul! De águas quentes, tranquilas e transparentes, o Mar Vermelho é um verdadeiro paraíso para quem gosta de mergulho ou de snorkeling. É possível observar toda a vida marinha e os recifes de corais. Barcos, tanques de guerra, um helicóptero e até um avião foram intencionalmente afundados para criar corais. A zona chama-se jardim japonês. É deslumbrante testemunhar toda a cor e movimento.
Para quem prefere outras atividades, além das praias, há passeios de barco com um fundo de vidro para se ver os corais e motos de água para os mais aventureiros.
5- Aqaba – Para além das praias de água cristalina, há muito mais para ver em Aqaba. Conquistada pelas tropas inglesas, onde se incluía Lawrence da Arábia, que lutavam na Revolta Árabe contra o Império Turco-Otomano, Aqaba tem um importante património histórico que importa referir, é imprescindível visitar a Fortaleza de Aqaba, também conhecida como Castelo Mamluk (século XVI), a mesquita de Sharif Hussein bin Ali (1979) ou as ruínas da antiga cidade islâmica de Ayla (século VI).
Se procura paragens mais modernas, tem mesmo de visitar Ayla Oasis. Um complexo imobiliário exclusivo, com 17 km2, que inclui casas e apartamentos de luxo, uma marina com iates, lojas dos melhores criadores de moda do mundo, campos de golfe, restaurantes, bares, farmácia, supermercado, diversões para todas as idades, praia, piscinas, entre outras valências que não estão ao alcance de todos.
6- Mar Morto – É o ponto mais baixo da Terra. O Mar Morto situa-se a 400 m abaixo do nível do mar. Embora se chame Mar Morto, não é mar, mas antes um lago. Ocupa uma área aproximada de 650 km2, tem 50 km de comprimento, 18 km de largura e uma profundidade de cerca de 300 metros. Aqui desagua o rio Jordão.
O Mar Morto possui uma percentagem de salinidade de 33,7% (a média é de 3,5%), o que faz com que qualquer um flutue.
Dado possuir 35 tipos diferentes de sais minerais, o Mar Morto é muito procurado para tratamentos de estética e de saúde, nomeadamente a sua lama negra que tem benefícios em algumas doenças da pele.
7- Jerash – É uma cidade greco-romana com mais de três mil anos de história e está tão bem conservada! Quem aprecia História, tem mesmo de visitar Jerash!
Conhecida como a Pompeia do Oriente, esta cidade fez parte da Décapolis e foi um importante entreposto comercial dos impérios Romano e Bizantino na região. Foi palco de guerras e terramotos, mas muitos dos seus edifícios resistiram ou foram reconstruídos. A sua descoberta aconteceu no século XIX, mas as escavações prosseguem até aos dias de hoje. Há mesmo muito mais para descobrir.
Vale a pena atravessar o Portão de Adriano, percorrer o Hipódromo, os templos de Zeus e de Ártemis, o Fórum, o Cardo Máximo, a Ágora, os mosaicos, entre outros vestígios arqueológicos.
8- Monte Nebo – Com mais de 800 m de altitude, o Monte Nebo é referido na Bíblia como o local onde o profeta Moisés avistou pela primeira vez a Terra Santa, onde não chegou a entrar, onde faleceu e onde terá sido sepultado. É possível ver parte do rio Jordão e as cidades de Jerusalém e Jericó.
Foi construída em 1993 uma basílica no local para preservar alguns dos mosaicos oriundos de construções anteriores, nomeadamente de igrejas e mosteiros dos séculos IV, V e VI.
9- Igreja de São Jorge – Em Madaba, visitamos a Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge, construída no século XIX sob o que restava de uma igreja bizantina. Aqui se encontra o que resta do famoso mapa da Terra Santo em mosaico bizantino, com a representação de todos os territórios bíblicos conhecidos até então. É o mais antigo. Data do século VI.
10- Castelo Shobak – Também conhecido como Castelo Montreal, o Castelo de Shobak foi mandado construir por Baldwin I de Jerusalém, um dos líderes da Primeira Cruzada, em 1115 d.C., como uma forma de controlar as rotas de caravanas e peregrinação entre a Síria e a Península Arábica. Acabou, no entanto, por ser tomado pelas tropas de Saladino em 1189. No século XIII, foi ocupado pelos mamelucos que realizaram um conjunto de obras de renovação.
11- Castelo Aljun – Parece um castelo Cruzado, mas na realidade não é. Construído em 1185 por ordem de um sobrinho de Saladino, com o objetivo de proteger as minas de ferro da região e impedir os ataques dos Cruzados, foi reconstruído no final do século XIII pelos mamelucos após a sua destruição pelos mongóis. O Castelo Ajlun oferece uma vista incrível.
12- Castelos do Deserto – No deserto da Jordânia, inseridas na rota que ligava a Síria ao interior da Península Árabe, permanecem as ruínas de alguns castelos que, na maior parte das vezes, foram fortalezas, antigos palácios, casas de acolhimento de hóspedes ou áreas de banhos.
Um dos castelos onde estivemos foi o do de Amra. Construído no início do século VIII d.C., funcionou como fortaleza e residência do Califado Omíada. Património Mundial da Unesco desde 1985, o Castelo de Amra está muito preservado, principalmente os frescos das salas de banho, com cenas de caça, nus femininos, mulheres e crianças, entre outros motivos.
Outro dos castelos que visitamos foi o de Kharana, o mais bem conservado dos castelos do deserto. Data do século VIII d. C., do mesmo período do Califado Omíada.
Tem mesmo aspeto de fortaleza, mas terá sido usado como local de reuniões entre os líderes das tribos beduínas. É um edifício quadrado de 35 metros de largura, com um átrio central e 60 quartos (distribuídos pelos dois pisos).
13- Amã – Capital da Jordânia, já teve várias designações como Rabath-Ammon e Philadelphia. Amã é uma mistura de mundos. Na cidade velha, proliferam as casas inacabadas sem quaisquer acessos a viaturas e o trânsito infernal.
Aqui encontramos as mesquitas Al-Hussein (1924) e Abu Darwish (1961), a Cidadela (vestígios dos períodos paleolítico, romano, bizantino e omíada) ou o Anfiteatro Romano (século II d.C.)
Para quem procura algo mesmo tradicional, vale a pena visitar o Downtown Bazaar e percorrer as lojas de roupa, doces, café e chá, frutos secos, comida, bebida, móveis e decoração, entre muitas outras.
Do outro lado, há uma nova Amã a surgir na zona de Boulevard Abdali, com arranha-céus, centros comerciais com lojas de luxo, restaurantes, esplanadas e bancos.
14- Teatro Romano – Construído no final do século II d.C., em homenagem ao imperador Antonino Pio, divide-se em três secções horizontais. Com capacidade para seis mil pessoas, possui duas entradas laterais, ao nível do chão, uma para o palco e outra para a orquestra. As salas onde os artistas se vestiam deram lugar ao Museu de Folclore da Jordânia e ao Museu de Tradições Populares da Jordânia.
Ao lado do Teatro Romano, existe um outro anfiteatro, o Odeão (século III d.C.), que seria uma sala coberta com 500 lugares, distribuídos por nove filas.
15- Cidadela de Amã
Localizada numa das sete colinas de Amã, com uma vista privilegiada, a Cidadela apresenta vestígios dos períodos paleolítico, romano, bizantino e omíada e, como tal, merece uma visita. Das suas principais atrações, é possível ver o que resta do Templo de Hércules (construído entre os anos 161 e 166 d.C., no reinado do imperador romano Marcus Aurelius), a Igreja Bizantina (século VI d.C.) com colunas da ordem coríntia, o Complexo Omíada (anos 720-750 d.C.), que compreendia, entre outros espaços, o palácio, a mesquita, o pátio e a cisterna.
É possível visitar o Museu Arqueológico da Jordânia. Construído em 1951, apresenta artefactos, desde a Pré-História até ao século XV, como objetos em cerâmica, metal, sílex ou vidro, jóias, moedas e estátuas.
PREPARE A SUA VIAGEM
Utilize os seguintes links de afiliados e beneficie dos melhores preços em Seguros de Viagem, Tours, Rent a Car e Alojamento!
- Faça um seguro de viagem com a IATI (5% de desconto por ser nosso leitor)
- Encontre os melhores voos na eDreams
- Encontre o melhor alojamento no Hotels Combined ou no ALL-Accor
- Evite filas? Reserve as suas tours no Get Your Guide, no Civitatis ou no Viator
- Alugue o seu carro na Auto Europe ou na Rent Cars
- Poupe muito dinheiro em taxas de levantamentos e pagamentos em viagem com o uso do Revolut, Curve ou até com o português Moey.
- Com a Airalo, mantenha-se conectado, para onde quer que viaje, a preços acessíveis.
- Utilize a VPN da SurfShark quando vai viajar! Mantenha-se Seguro
Vídeos
Monte Nebo, Madaba e Pequena Petra
Petra
Wadi Rum
Aqaba
Amã
Castelos do Deserto e Mar Morto
Cidadela de Amã
Jerash
Castelo Ajloun
Continue a leitura
Artigos Relacionados

Colombo: a capital em constante transformação
Colombo é a maior cidade do Sri Lanka e o principal centro económico e financeiro do país. Embora a capital administrativa seja Sri Jayawardenepura Kotte,

Minarete de Qutub
Minarete de Qutub: Um Património Histórico de Nova Deli Localizado no complexo do Qutub Minar, em Nova Deli, o Minarete de Qutub é uma das

Laxmi Narayan
Templo Laxmi Narayan: Um Refúgio Espiritual em Nova Deli No vibrante coração de Nova Deli, o Templo Laxmi Narayan, também conhecido como Birla Mandir, é

Jama Masjid
Jama Masjid: Um Ícone da Arquitetura Mogol em Nova Deli Situada no coração da vibrante Nova Deli, a Jama Masjid é uma das mesquitas mais

India Gate
India Gate: Um Monumento à História e à Memória em Nova Deli Localizado no coração de Nova Deli, o India Gate é um dos marcos

Gurudwara Bangla Sahib
Gurudwara Bangla Sahib: Um Refúgio de Paz e Espiritualidade em Nova Deli No coração pulsante de Nova Deli, o Gurudwara Bangla Sahib é um dos