Miranda do Douro
A cidade de Miranda do Douro, localizada na fronteira com a província espanhola de Zamora, é um verdadeiro postal ilustrado no que à natureza e património diz respeito.
É um destino que merece uma escapadinha de fim de semana, a dois ou em família. A um centro histórico riquíssimo junta-se o Parque Natural do Douro Internacional, com as suas escarpas imponentes que servem de abrigo e de ninho a várias espécies de aves, como grifos, águas, cegonhas-pretas ou abutres, mas também a plantas e a lontras.
Depois de experimentar a sua gastronomia ímpar, na qual se destaca a famosa posta à Mirandesa ou os vários enchidos típicos da região, sugerimos uma caminhada para queimar as calorias no Parque Urbano do Rio Fresno, percorrendo um circuito de 4 km.
O rio
Há várias formas de apreciar a paisagem do Douro Internacional. A mais bonita, para nós, é a bordo do Cruzeiro Ambiental Douro Internacional. Partindo da Estação Biológica Internacional (2002), um navio de investigação com capacidade de 120 lugares navega pelo Canhão do Douro e pelas suas arribas, dando a conhecer, ao longo do trajeto, a geologia, a fauna e flora deste local.
Já em terra, não faltam miradouros com vistas deslumbrantes para o rio Douro. Recomendamos dois. Um, mais recente, é o Miradouro da Rua das Arribas, com vista quer para o rio quer para a Catedral de Miranda do Douro.
Outro dos miradouros mais procurados fica na aldeia de Picote e é um dos locais mais instagramáveis. Falamos do Miradouro da Fraga de Puio, com uma plataforma de vidro suspensa com vista para o rio Douro.
O centro histórico
Dada a sua localização, Miranda do Douro foi um ponto estratégico de defesa ao longo dos séculos, quer nas sucessivas guerras com Espanha quer durante as invasões francesas.
Edificado no século XIII, no reinado de D. Dinis, o Castelo de Miranda do Douro, de planta octogonal, sofreu, ao longo dos séculos, inúmeros danos em virtude de ataques dos espanhóis e de explosões do paiol de munições, alguns dos quais nunca foram reconstruídos.
No interior do que resta das muralhas, percorremos o centro histórico de Miranda do Douro. A rua principal leva-nos à Praça D. João III, onde somos recebidos pelas estátuas de um casal mirandês, da autoria do escultor José António Nobre.
Aqui encontramos o Museu da Terra de Miranda (antigo edifício dos Paços do Concelho, cuja construção terá ocorrido em finais do século XV/inícios do século XVI). Aberto em 1982 neste local, o Museu da Terra de Miranda dá a conhecer ao visitante a vida social e cultural do planalto mirandês.
Nesta praça, ergue-se o atual Edifício dos Paços do Concelho, instalado num edifício de finais do século XIX, de estilo neoclássico, que inicialmente se destinava a ser Tribunal da Comarca.
Da Praça D. João III, seguimos pela Rue de la Costanielha (em mirandês), a rua mais antiga de Miranda do Douro, onde existe um conjunto de casas burguesas do século XVI.
A Catedral vê-se ao longe e marca a paisagem de Miranda do Douro. Projetada pelo arquiteto Gonçalo de Torralva, começou a ser construída em 1552. Já a capela-mor data do século XVIII. Apresenta influências arquitetónicas góticas, mas também maneiristas.
Interessante é também o edifício onde se encontra a Biblioteca Municipal de Miranda do Douro. Desde 2005 que está instalada no antigo Convento dos Frades Trinos, datado do século XVIII.
Nas proximidades da Biblioteca Municipal de Miranda do Douro, encontramos o Antigo Paço Episcopal, construído entre os séculos XVII e XVIII. Danificado em virtude de sucessivos incêndios, foi recuperado recentemente e convertido em estrutura de acolhimento e exposição da antiga Sé Catedral de Miranda do Douro.
Ainda no que diz respeito a património religioso, recomendamos uma visita à Igreja da Misericórdia, em estilo maneirista, construída no século XVI e reformada no século XVII, ou à Igreja de Santa Cruz, uma capela barroca do século XVII e remodelada no século seguinte.
A identidade
Homens trajados com saias dançam com paus ao som da gaita-de-foles. Assim se apresentam os Pauliteiros de Miranda numa espécie de dança guerreira cuja origem remonta à presença celta na região, na Idade do Ferro.
A Capa de Honra Mirandesa, feita de pura lã de ovelha (burel), é outro ícone da identidade mirandesa. Utilizada no meio rural pela necessidade de agasalho nos trabalhos agrícolas e de pastoreio, a capa é atualmente envergada em cerimónias ou eventos importantes.
O mirandês é a língua oficial da região e está bem patente quer no nome das ruas quer nas montras de estabelecimentos comerciais.
Para saber mais sobre a identidade de Miranda do Douro, recomendamos uma visita à Casa da Cultura Mirandesa, instalada no edifício da Antiga Alfândega, do século XV, entretanto restaurado.
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