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Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios

Localizado a cerca de 10 quilómetros de Fátima, entre os concelhos de Ourém e Torres Novas, o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios está integrado no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, uma região rica em formações cársicas, grutas e paisagens únicas.

Este local em concreto leva-nos numa viagem de 175 milhões de anos, numa altura em que criaturas colossais caminhavam por mares rasos e planícies húmidas muito antes de existirem continentes tal como os conhecemos.

No trilho dos gigantes

À primeira vista, a paisagem pode parecer árida, pontuada por rochas e mato ralo. Mas sob os pés do visitante esconde-se um dos mais extraordinários registos paleontológicos de Portugal — as pegadas fossilizadas de dinossáurios saurópodes, enormes herbívoros de pescoço e cauda longos que dominaram o Jurássico Médio.

Foram eles que, há milhões de anos, deixaram marcas profundas na lama calcária que cobria esta antiga laguna. Com o tempo, a lama secou, endureceu e transformou-se em pedra, preservando para sempre o movimento destes gigantes pacíficos.

Hoje, é possível observar cerca de vinte trilhos fossilizados, entre os quais se destaca a mais longa pista de pegadas de saurópodes conhecida no mundo, com 147 metros de extensão. Cada marca é um elo direto com o passado — um vestígio autêntico da presença de criaturas que podiam atingir 30 metros de comprimento e pesar até 70 toneladas.

Da pedreira ao monumento

Tudo começou em 1994, na antiga Pedreira do Galinha, onde três membros da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia descobriram as estranhas depressões que mudariam o destino do local. O que parecia uma curiosidade geológica revelou-se um tesouro paleontológico sem precedentes.

Dois anos mais tarde, o Estado português classificava a área como Monumento Natural, garantindo a sua proteção e preservação.

Em 1997, o espaço abriu ao público e passou a integrar um circuito pedagógico, com painéis informativos e passadiços de madeira que permitem explorar o local de forma acessível e sustentável. O percurso, com cerca de um quilómetro, conduz o visitante por um cenário impressionante — uma antiga laje calcária inclinada, onde o tempo se fez pedra e cada pegada é uma memória da vida que floresceu antes da humanidade.

O Jardim Jurássico e a memória viva da Terra

Complementando a experiência, o Jardim Jurássico, criado em 2002, oferece uma viagem sensorial ao passado vegetal do planeta. Ali crescem espécies que já existiam no tempo dos dinossáurios — fetos arbóreos, cicas, araucárias, ginkgo biloba, zimbros e cavalinhas — plantas consideradas autênticos “fósseis vivos”.

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