Quando pensamos em León, em Espanha, é fácil imaginar primeiro a sua extraordinária catedral gótica, as igrejas históricas, as muralhas romanas ou as ruas do centro antigo. Mas a cidade tem também uma dimensão muito mais recente e experimental, que merece ser descoberta.
É precisamente aí que entra o MUSAC — Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León, um dos espaços culturais mais interessantes de León e uma paragem especialmente recomendável para quem gosta de arquitetura, arte contemporânea e lugares que procuram mostrar uma cidade para além do seu património histórico.
Mais do que um simples museu de arte contemporânea, o MUSAC foi concebido como um espaço de reflexão sobre a sociedade atual, acolhendo exposições, projetos artísticos, atividades educativas, cinema, debates e outras iniciativas culturais. O edifício, por si só, já justificaria a visita: a sua arquitetura tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis da León contemporânea.
Um museu dedicado ao presente
O MUSAC nasceu por iniciativa da Junta de Castilla y León e abriu as portas ao público em 1 de abril de 2005. A sua missão passa por aproximar o público da criação contemporânea e, simultaneamente, estimular a produção artística na região.
Desde o início, o museu assumiu uma visão particularmente abrangente do que significa apresentar arte contemporânea. A sua atividade não se limita à conservação e exposição de obras: inclui também documentação, investigação, educação, publicação e criação de espaços de diálogo entre artistas, profissionais da cultura e público.
A própria instituição define o museu como uma ferramenta para compreender criticamente a arte, a cultura e a sociedade em que vivemos. Esta perspetiva ajuda a explicar a diversidade da sua programação, que pode cruzar artes visuais, fotografia, vídeo, instalações, cinema, performance, arquitetura e outras formas de criação contemporânea.
Para um visitante, isto significa que não existe necessariamente uma única maneira de visitar o MUSAC. Algumas exposições podem ser mais visuais e imediatas; outras exigem mais tempo para interpretar conceitos, contextos sociais ou questões políticas e culturais.
A arquitetura que tornou o MUSAC famoso
Mesmo antes de entrar no museu, há um motivo evidente para parar: o edifício.
O projeto é da autoria dos arquitetos espanhóis Luis M. Mansilla e Emilio Tuñón, do gabinete Mansilla + Tuñón, e tornou-se uma das obras mais reconhecidas da arquitetura contemporânea espanhola.
A importância arquitetónica do edifício foi reconhecida internacionalmente em 2007, quando o MUSAC recebeu o Prémio da União Europeia para a Arquitetura Contemporânea — Prémio Mies van der Rohe, um dos mais importantes galardões europeus de arquitetura. O júri destacou a capacidade do projeto para criar uma arquitetura simultaneamente complexa, flexível e profundamente ligada às necessidades de um museu de arte contemporânea.
A construção organiza-se através de uma sequência de espaços interligados, baseada numa geometria de quadriláteros deformados. O resultado é um conjunto que, visto de fora, parece relativamente horizontal e compacto, mas que no interior cria diferentes percursos, salas, pátios e ambientes.
Uma das características mais interessantes é precisamente a flexibilidade. As salas foram concebidas para poderem adaptar-se a exposições de natureza muito diferente. O júri do Prémio Mies van der Rohe salientou, entre outros aspetos, a existência de portas de grande dimensão que podem funcionar simultaneamente como elementos de circulação e superfícies expositivas, permitindo transformar os espaços de acordo com as necessidades de cada projeto.
É uma arquitetura pensada para a arte, e não apenas uma arquitetura destinada a impressionar.
A fachada colorida e a inspiração na Catedral de León
A imagem mais conhecida do MUSAC é provavelmente a sua fachada composta por painéis de diferentes cores.
A utilização desta paleta estabelece uma ligação visual particularmente interessante com a Catedral de León, famosa pelos seus grandes conjuntos de vitrais.
É uma relação simbólica entre duas Leóns: de um lado, o extraordinário património gótico da cidade; do outro, a linguagem artística e arquitetónica do século XXI.
No MUSAC, a cor deixa de estar confinada aos vitrais de um edifício religioso e passa para a fachada de um museu contemporâneo. O resultado é uma espécie de diálogo entre passado e presente que faz muito sentido numa cidade com uma herança histórica tão forte.
Por isso, mesmo quem não tenha especial interesse por arte contemporânea pode apreciar o edifício como uma obra arquitetónica autónoma.
Um edifício pensado para receber exposições diferentes
No interior, a arquitetura torna-se bastante diferente da imagem colorida da fachada.
Os espaços expositivos caracterizam-se pela utilização de materiais como o betão aparente e por uma organização que permite receber obras e instalações de dimensões e características muito variadas.
O projeto combina salas convencionais de exposição com espaços de maior altura, zonas de circulação e pátios interiores. A entrada de luz natural também desempenha um papel importante na experiência do edifício, criando ambientes distintos ao longo do percurso.
Esta flexibilidade foi uma das razões pelas quais o júri do Prémio Mies van der Rohe considerou que o edifício conseguia responder particularmente bem às exigências de um programa artístico em constante transformação.
É, portanto, um daqueles museus em que vale a pena prestar atenção não apenas ao que está pendurado nas paredes, mas também ao espaço onde as obras são apresentadas.
A Coleção MUSAC
O museu possui uma coleção própria de arte contemporânea, construída em paralelo com a sua atividade expositiva.
Quando o projeto da coleção começou a ser estruturado, o então diretor Rafael Doctor definiu o MUSAC como um “museu do presente”. A ideia era reunir uma história ainda recente e aberta, em que não existisse uma interpretação única e definitiva.
Um dos critérios cronológicos adotados para a coleção internacional foi particularmente significativo: 1989 foi escolhido como ponto de partida. O ano da queda do Muro de Berlim coincidiu também com o nascimento da World Wide Web, duas transformações que ajudam a simbolizar a entrada num novo período histórico, político, tecnológico e cultural.
A coleção foi crescendo ao longo dos anos e inclui artistas espanhóis e internacionais e obras realizadas em diferentes meios.
Que tipo de arte podemos encontrar?
A programação e a coleção do MUSAC abrangem uma grande variedade de linguagens.
Pintura, fotografia, vídeo, instalação, escultura, arte conceptual, práticas performativas e trabalhos relacionados com novas tecnologias fazem parte do universo do museu.
Mais importante do que identificar um único estilo artístico é perceber os temas que atravessam muitas das exposições: identidade, memória, globalização, transformações sociais, tecnologia, desigualdade, migrações, género, ambiente, política e as mudanças na forma como vivemos e nos relacionamos.
O próprio percurso histórico das exposições da coleção demonstra esta diversidade. Ao longo dos anos, o MUSAC apresentou leituras relacionadas com paisagem, fotografia, América Latina, linguagem, capitalismo, exílio, espaço, memória e diferentes formas de representação da sociedade contemporânea.
Um museu que não vive apenas das exposições
Outra característica importante do MUSAC é a dimensão cultural da sua programação.
O museu possui uma área educativa, organiza atividades para diferentes idades, promove encontros e debates e desenvolve programas relacionados com cinema, artes performativas e outras formas de criação.
Existe também uma Biblioteca/Centro de Documentação, dedicada à arte contemporânea e a áreas relacionadas. O acervo inclui documentação sobre história da arte contemporânea, fotografia, audiovisual, novas tecnologias, arquitetura, design e artistas, entre outras áreas.
Fotografias
Video
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