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Quartos, rooms, chambres, zimmer, habitaciones”. São as primeiras palavras que nos recebem na Nazaré e constam das placas que as nazarenas, vestidas a rigor, ostentam nos passeios aos turistas que por ali passam.

O traje típico da nazarena inclui as sete saias, que representam as sete virtudes, os sete dias da semana, as sete cores do arco-íris, as sete ondas do mar, entre outras associações ao número sete.

São também as nazarenas que zelam pelo peixe a secar ao sol, alinhado sobre estacas, como se um de estendal se tratasse.

Falar da Nazaré é falar das artes da pesca, do extenso areal em forma de meia-lua, das ondas gigantes, do cheiro a peixe a estalar na brasa, da caldeirada a fervilhar no tacho, das esplanadas com vista para o mar. Nazaré é tudo isto e muito mais!

Desde a década de 60 que a praia da Nazaré passou a ser muito procurada, sobretudo por turistas espanhóis, franceses e italianos. A oferta hoteleira era escassa e sem grandes condições, mas, nas últimas duas décadas, a situação alterou-se completamente!

Graças às suas ondas gigantes, a Nazaré passou a ser destino turístico também no inverno e abriu novas oportunidades no setor.

O chamado “Canhão da Nazaré”, o maior desfiladeiro submerso da Europa, com cerca de 170 quilómetros ao longo da costa, que chega a ter 5000 metros de profundidade, é o grande responsável pela formação de ondas gigantes e perfeitas.

Em 2011, a Nazaré tornou-se mundialmente conhecida quando o havaiano Garrett McNamara surfou a maior onda do mundo com cerca de 30 metros, na Praia do Norte, vencendo o prémio Billabong XXL Global BigWave Awards e batendo um record do Guiness Book.

Desde então, surfistas de todo o mundo visitam a Nazaré, entre os meses de novembro e março, à espera das ondas gigantes, para participar no Nazaré Tow Surfing Challenge.

Mas para chegar à Praia do Norte, o melhor é mesmo apanhar boleia no ascensor que liga o centro da vila ao Sítio (promontório).

Com uma extensão de 318 metros e uma inclinação de 42%, o ascensor foi inaugurado a 28 de julho de 1889. Foi considerado Património Municipal pela Câmara da Nazaré, entidade responsável pela sua gestão e conservação.

Na gare inferior, enquanto espera para entrar, aprecie o painel em cerâmica da autoria do artista plástico Mário Reis sobre a vila. Com 20 metros quadrados, o painel é composto por 2000 peças e apresenta referências ao peixe seco, às gaivotas, às ondas grandes, ao surf, ao promontório, ao Forte de S. Miguel, entre outros.

Na gare superior, também da autoria de Mário Reis, sobressaem cinco painéis de cerâmica que retratam, de uma forma contemporânea, as vivências e a história da vila.

O Sítio tem inúmeros miradouros com vista privilegiada para a praia da Nazaré. No largo Nossa Senhora da Nazaré, deparamo-nos com as lojas de artesanato local e as vendedoras de frutos secos, tremoços, torrões e bolachas de amendoim.

Muito procurada é a Ermida da Memória, que assinala o milagre que Nossa Senhora fez, numa manhã de setembro de 1182, impedindo que o cavalo de um fidalgo, D. Fuas Roupinho, se lançasse no precipício quando perseguia um veado que caçava. Por intervenção da Virgem, o cavalo terá fincado as suas patas na rocha, salvando-se a si e ao fidalgo que transportava. Em agradecimento, D. Fuas Roupinho mandou construir no local uma capela em honra da Senhora. Aliás, conta-se que ainda hoje é visível a marca da ferradura de uma das patas do cavalo, no miradouro do Suberco…

Mesmo ao lado da Ermida da Memória, encontramos o Padrão de Vasco da Gama. Erigido em 1939, assinala a vinda do navegador, como peregrino, à Senhora da Nazaré, antes de embarcar na viagem da descoberta do caminho marítimo para a Índia.

Diz-se que Vasco da Gama trocou a corrente de ouro que trazia pelo colar de contas da Virgem, pedindo a sua proteção. À passagem do Cabo das Tormentas, um grande temporal colocou em risco barcos e homens. Vasco da Gama atirou o colar da Senhora da Nazaré ao mar, acalmando-o. Em sinal de gratidão, regressa a Nazaré e oferece à Virgem um precioso manto.

Também no largo Nossa Senhora da Nazaré foi construído o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. Fundado pelo rei D. Fernando I, em 1377, o local sofreu várias alterações ao longo dos anos até adquirir a sua forma atual.

No seu interior, destaca-se a imagem de Nossa Senhora da Nazaré, uma virgem negra esculpida em madeira. Terá sido trazida de Mérida, no ano de 711, por Frei Romano, fugido dos invasores muçulmanos.

No exterior, mesmo em frente ao Santuário, encontramos o Coreto, encomendado pela Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, ao mestre Francisco da Silva Castro, em 1897.

Seguindo em direção à Praia do Norte, somos surpreendidos pela estátua “Veado”, da autoria da escultora Adália Alberto. Com seis metros de altura, a escultura pretende ser uma representação da ligação entre o Milagre da Nazaré e a onda gigante que tem projetado a vila internacionalmente.

Descemos até ao Forte de São Miguel Arcanjo, que alberga o Farol da Nazaré, e que foi o cenário das imagens que correram o mundo da maior onda alguma surfada em 2011 por Garrett McNamara.

Começou a ser construído em 1577 por ordem do rei D. Sebastião para defesa e vigilância marítima. O Forte integrava uma capela dedicada a São Miguel Arcanjo, mandada construir pelo rei D. João IV em 1644.

Ao longo de séculos, o forte sobreviveu a ataques de piratas, às invasões francesas, às lutas liberais e a atos de vandalismo.

O Farol da Nazaré entrou em funcionamento a 1 de dezembro de 1903.

No interior do Forte de S. Miguel Arcanjo, estão ainda em exposição as pranchas oferecidas pelos surfistas que se aventuram nas ondas da Praia do Norte. A Nazaré Surfer Wall tem 42 pranchas doadas por Pedro Scooby, Sebastian Steudtner, Garrett McNamara, Maya Gabeira, Andrew Cotton, Carlos Burle, Mike Stewart,  Marcelo Luna, Ricardo Koxa, João de Macedo, Toby Cunningham, Nuno Santos Violino, Alessandro Marcianó, Joan Andrade, David Langer, Alex Botelho, Gary Linden, Sérgio Cosme, Rafael Tapia, Abraham Ho, Ross Clarke-Jones, Kalani Lattanzi, Justine Dupont, Hugo Vau, Jamie Mitchell, António Silva, Lucas Chianca, Nuno Figueiredo, António Laureano, Axi Muniain, João Guedes, António Cardoso, Teresa Almeida, Dino Carmo, Al Mennie, Grant Baker, Will Skudin, Eric Rebiere, Francisco Porcella, Andrey Karr e Tom Butler.

Para quem gosta de fotografias instagramáveis, há um novo spot na Nazaré, ligeiramente abaixo do Sítio. O Baloiço da Ladeira oferece uma vista incrível sobre a praia da Nazaré e a frase inscrita “Foi Amor à primeira vista”.

Para saberem mais sobre a história e a identidade cultural da Nazaré, com incidência na cultura do mar, visitem o Museu Etnográfico e Arqueológico do Dr. Joaquim Manso, também conhecido por Museu da Nazaré, aberto ao público desde 1976.

Se tiverem oportunidade, passem pela Biblioteca Municipal, onde se situa a Galeria Municipal Paul Girol, pelo Mercado Municipal, pelo Centro Cultural da Nazaré (Antiga Lota) ou pelo Cine-teatro da Nazaré…

Há muitas razões para descobrir a Nazaré…mas, acima de tudo, há muitas mais para regressar…aquele mar é também a nossa casa.

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