A apenas três quilómetros do centro de Vila Real, ergue-se uma das mais belas e emblemáticas casas senhoriais de Portugal: o Palácio de Mateus, também conhecido como Solar ou Casa de Mateus. Classificado como Monumento Nacional desde 1910, este conjunto arquitectónico é um dos mais notáveis exemplos do barroco civil em Portugal e uma paragem obrigatória para quem explora a região do Douro e Trás-os-Montes.
Um pouco de história
A Casa de Mateus foi mandada construir na primeira metade do século XVIII por António José Botelho Mourão, 3.º Morgado de Mateus, no local onde já existia uma habitação senhorial desde o século XVII. O projeto do palácio é atribuído a Nicolau Nasoni, o arquiteto italiano que marcou profundamente o Norte de Portugal com obras como a Torre dos Clérigos, no Porto, ou a Igreja do Bom Jesus de Matosinhos.
A Capela viria a ser concluída em 1750, já sob responsabilidade do filho do Morgado, D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, figura de destaque na administração colonial portuguesa, nomeadamente como Governador da Capitania de São Paulo, no Brasil.
Desde então, a casa manteve-se ligada à família Sousa Botelho, atravessando gerações e guardando consigo um património histórico e artístico de enorme valor.
Arquitetura e interiores
O Palácio de Mateus é reconhecido pela harmonia das suas fachadas e pelo equilíbrio decorativo, típico do barroco nasoniano. O conjunto é composto pela casa principal, capela, adega e jardins, inseridos numa vasta quinta que combina história, arte e natureza.
No interior, destacam-se os tetos de madeira trabalhada, o mobiliário de diferentes épocas, peças de prata, cerâmica e pintura dos séculos XVII e XVIII. A célebre Biblioteca da Casa guarda cerca de 6.000 volumes, entre os quais uma raríssima edição ilustrada d’Os Lusíadas de 1816.
Cada divisão, desde o Salão Nobre às alas mais íntimas, revela fragmentos da vida quotidiana de doze gerações da mesma família.
Os jardins e o espelho de água
Se a fachada barroca impressiona, o enquadramento paisagístico não fica atrás. Logo à entrada, o visitante é surpreendido pela vista do palácio refletido no lago, imagem digna de postal que se tornou um dos símbolos da Casa.
Os jardins históricos são meticulosamente desenhados com sebes de buxo, parterres geométricos e canteiros floridos. O túnel de cedros é uma das áreas mais fotogénicas, conduzindo até à horta-jardim e às vinhas que se estendem para lá dos muros da propriedade.
O jardim de rosas, junto à ala sul, acrescenta cor e aroma, contrastando com a geometria racional do restante espaço verde.
A Fundação da Casa de Mateus
Desde 1970, a Casa de Mateus é administrada pela Fundação da Casa de Mateus, criada por D. Francisco de Sousa Botelho Albuquerque. O seu trabalho assenta na preservação do património edificado e documental, mas também na dinamização cultural.
Ao longo das últimas décadas, a Fundação afirmou-se como um polo de criação artística e reflexão intelectual, promovendo concertos, residências artísticas, conferências e seminários.
Hoje, a Casa de Mateus é igualmente um espaço de inovação, com projetos dedicados à sustentabilidade, à transição ecológica e ao diálogo entre património, ciência e cultura contemporânea.
Vinhos e tradições
Ligada desde sempre à Região Demarcada do Douro, criada em 1756, a Casa de Mateus mantém uma forte ligação à viticultura. A adega histórica, com origem no século XVI, continua em plena atividade, recebendo uvas de vinhas centenárias e mais recentes, conduzidas com princípios de sustentabilidade.
As visitas ao palácio podem ser complementadas com provas de vinho, numa experiência que alia história, cultura e sabores da região.
A visita
O Palácio de Mateus está aberto ao público durante todo o ano, com visitas guiadas que percorrem a adega, a casa principal, a biblioteca, a capela e os jardins.
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