Adoramos Penha Garcia! Aproveitamos uma escapadinha de fim de semana a Monsanto e dedicamos um dia a esta aldeia. Rapidamente ficamos deslumbrados! A simpatia das pessoas, a preservação do património histórico, a beleza da paisagem…tudo nos encantou!
De mochila às costas, partimos à aventura!
Começamos o nosso percurso no Largo do Chão da Igreja, onde estão instalados um antigo tanque de guerra usado pelas forças armadas na Revolução do 25 de Abril e o “Memorial à Guerra”, um conjunto de esculturas – cravos e figuras humanas- alusivas à mesma temática, da autoria de Ana Moreira Mena, em homenagem aos combatentes locais que perderam a vida na Guerra do Ultramar.
Subimos a Avenida 25 de Abril, passando pelo Posto de Turismo, Capela do Espírito Santo, o Chafariz, o Forno Comunitário (onde se pode comprar pão fresquinho) e lojas de artesanato local. Um dos espaços que visitamos foi o do artesão Augusto Pires. É das suas mãos que saem esculturas lindíssimas de madeira, feitas de raízes de árvores mortas ou de troncos de castanheiro. Se quiserem conhecer o seu trabalho, visitem a página no Facebook https://www.facebook.com/augustopiresartesao/
No centro da aldeia encontramos o Pelourinho, datado do século XVI, assinado pelos seus autores Estevam Simão e Domingos Fernandes, e com a representação dos símbolos tradicionais do reinado de D. Sebastião.
Continuamos a subir até ao cimo da encosta, onde se localiza a Igreja Matriz/ Igreja Nossa Senhora da Conceição, que se encontrava em obras de conservação. O templo original, edificado no século XIII por D. Dinis, foi totalmente reconstruído na segunda metade do século XX.
Logo atrás, no Miradouro de Penha Garcia, somos surpreendidos por uma vista incrível sobre os gigantescos penhascos que suportam a Albufeira de Penha Garcia, criada graças a uma barragem em betão, com 60 metros, construída no rio Pônsul.
À esquerda do miradouro, ergue-se o imponente Castelo de Penha Garcia, que terá sido construído entre os séculos XII e XIII, para ajudar a proteger a fronteira portuguesa das investidas do reino de Leão. No reinado de D. Dinis, o castelo foi doado à Ordem dos Templários, ficando, depois da sua extinção, sob a alçada da Ordem de Cristo. Já no século XVI, regressa à posse da coroa.
Das suas antigas muralhas, subsistem apenas alguns troços. Reza a lenda de que por ali ainda vagueia o fantasma do antigo alcaide do castelo, D. Garcia. Diz-se que, depois de raptar a filha do governador de Monsanto, D. Branca, D. Garcia terá sido apanhado e condenado à morte. Graças aos apelos de D. Branca por misericórdia, conseguiu que a pena fosse reduzida. Em vez da morte, ficou sem um braço…e ainda hoje é conhecido por D. Garcia, o Decepado…
O Castelo de Penha Garcia foi o ponto de partida para o nosso trilho pela Rota dos Fósseis, descendo em direção ao rio.
Em baixo, é visível o Complexo Moageiro de Penha Garcia, um conjunto de moinhos de rodízio, alguns dos quais acionados a água, outros (mais raros) a vento.
Ao longo do percurso, encontram-se inúmeros vestígios de icnofósseis, alguns com cerca de 480 milhões de anos, sedimentados nas rochas quartzíticas. Aliás, esta área- Parque Icnológico de Penha Garcia- integra o Geopark Naturtejo da Meseta Meridional e a Rede Mundial de Geoparques da UNESCO.
Se fizerem o trilho com bom tempo, têm ainda a oportunidade de se refrescarem na Piscina Fluvial do Pego, onde se situa a Cascata do Pego, mesmo no meio do parque.
Penha Garcia é um misto de natureza e história. E o melhor de tudo é que está tudo no mesmo local!
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