Fizemos uma viagem pelas cidades de Shangai, Pequim e Hangzhou. Andámos milhares de quilómetros e, mesmo assim, achamos que vimos muito pouco, pois a China é grande, mesmo muito grande! As distâncias entre as principais cidades são gigantescas. Só para terem uma ideia, viajamos de comboio rápido de Shangai até Pequim em 4 horas e meia, percorrendo mais de 1200 km. De carro seriam cerca de 12 horas…
Estivemos em Pequim três dias e meio. Queríamos ver tudo e mais alguma coisa! Quando percebemos a verdadeira dimensão da cidade, começamos a selecionar da nossa lista o que conseguiríamos ver em tão pouco tempo e a deixar o resto para uma próxima visita…
Ficamos alojados mesmo no centro histórico, num hotel dentro de um Hutong, espaço formado pelas ruelas e pátios antigos e tradicionais chineses.
Começámos pela Cidade Proibida. Construída no século XV, a Cidade Proibida (ou palácio imperial) acolheu 24 imperadores das dinastias Ming e Qing. O complexo é enorme! São mais de 800 edifícios, com 9000 quartos, além de jardins e pavilhões.
É frequente o controlo militar na zona envolvente da Cidade Proibida. Levem sempre o passaporte (o original, não a fotocópia), pois vão pedir-vos a qualquer altura até para comprar bilhetes.
Seguimos para a Praça Tiananmen (também conhecida por Praça da Paz Celestial), onde decorria uma cerimónia militar. Com uma área total de 440 mil m2, é ladeada por edifícios e monumentos históricos como o Museu Nacional da China, o Grande Palácio do Povo, a Torre Qianmen, o Mausoléu de Mao Tsé-Tung, o Monumento aos Heróis do Povo, entre outros.
Pertíssimo da Praça Tiananmen, visitamos o “The National Center for Performing Arts”, mais conhecido como “O Ovo”, por causa do seu aspeto. Espelhado e submerso num lago, o edifício acolhe a famosíssima Ópera de Pequim.
Ainda tentamos visitar o Lama Temple, um antigo palácio imperial que se transformou no século XVIII num dos mais importantes templos budistas, mas já estava fechado…
Seguimos para Wangfujing Street, repleta de centros comerciais e lojas de luxo de rua. Um pouco depois, encontramos o Donghuamen Night Market, mercado de comida de rua…onde as iguarias são variadas…há escorpiões e larvas (ainda a mexerem), mas também espetadas de cavalos-marinhos, estrelas-do-mar, lulas, camarão, frango, pato…
Dedicamos um dia para a Muralha da China, uma das sete maravilhas do mundo e classificada como Património Mundial pela Unesco em 1987.
Considerada a maior estrutura militar de defesa do mundo com uma extensão total de 21.196 km, a sua construção começou por volta do ano 220 a.C.
Das várias secções da muralha visitáveis, a mais turística é a de Badaling, que fica a 70 km de Pequim.
É o ponto mais alto da muralha, com 800 metros de altitude em relação ao nível do mar.
Mao Tsé-Tung disse um dia que “quem nunca escalou a Grande Muralha não é um homem de verdade”. Os chineses levam este desafio a sério. Vimos famílias inteiras, incluindo pessoas de idade com alguma dificuldade de locomoção, a fazer o percurso, debaixo de um sol abrasador. Vá lá que construíram um teleférico para ajudar…
Visitamos ainda os túmulos da Dinastia Ming, construídos no século XIV, onde estão sepultados 13 imperadores. Em 2003, foram classificados Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Foi um dia cansativo, mas valeu a pena. Só a visita à Muralha da China por si só já teria valido a pena. É uma sensação única subir aquela serpente de pedra cravada na natureza e chegar ao topo. É daqueles momentos, de lágrimas nos olhos, que ficam para o resto da vida.
Voltamos a Pequim.
O maior entrave é mesmo a barreira linguística. Ao contrário de Shangai, em Pequim, com exceção do hotel e das excursões, ninguém falava inglês. Nada! Comprar bilhetes para o metro foi uma aventura! A máquina não aceitava notas de valor elevado (era o que tínhamos!) e a fila de pessoas à espera aumentava…Graças à generosidade de um cidadão chinês que percebeu a nossa dificuldade (que era não perceber porque a máquina não estava a aceitar o nosso dinheiro), conseguimos comprar o bilhete para circularmos na cidade. Decidimos ir até ao quarteirão financeiro, onde se situam edifícios espetaculares como o do CCTV, um arranha-céus que acolhe a sede da televisão central chinesa. Com 234 metros de altura, o edifício, concluído em 2008, foi desenhado pelos arquitetos Rem Koolhaas (o mesmo que assinou o projeto da Casa da Música do Porto) e Ole Scheeren. É conhecido como “Big Pants” ou “Trousers” pelo seu formato…
Infelizmente, muito ficou por ver. A Cidade Olímpica, por exemplo, vimos só de passagem no regresso da visita à Muralha da China. Precisávamos de, pelo menos, mais um dia em Pequim para visitar o Summer Palace e o Temple of Heaven, edifícios históricos lindíssimos…daqueles que proporcionam fotografias fantásticas e memoráveis.
O Beihai Park e o 798 Art District foram outros dos locais que queríamos conhecer, mas não tivemos tempo de o fazer. Pelo menos, a lista já está feita para quando regressarmos a Pequim!
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