Há lugares onde a natureza parece ter sido desenhada com uma régua e um compasso. E há outros onde o tempo, a força do oceano e milhões de anos de erosão conseguem criar algo que se aproxima de uma obra de arquitetura. A Praia das Catedrais, na costa norte da Galiza, pertence claramente à segunda categoria.
Conhecida oficialmente como Praia de Augas Santas, ou simplesmente As Catedrais, esta extraordinária faixa costeira encontra-se no município de Ribadeo, na província de Lugo, junto ao mar Cantábrico. O seu nome turístico deve-se às enormes formações rochosas que o oceano foi escavando nas falésias: arcos, abóbadas, colunas, grutas e corredores que, vistos da areia durante a maré baixa, fazem lembrar a arquitetura monumental de uma catedral.
Mas há uma particularidade que torna a visita ainda mais especial: a Praia das Catedrais não é exatamente a mesma praia ao longo do dia. O cenário que vemos depende da maré. Quando o mar recua, revela um mundo de pedra que permanece escondido durante grande parte do tempo. Quando a maré sobe, a água volta a ocupar os espaços entre as falésias e muitos dos seus arcos e grutas desaparecem debaixo do Cantábrico.
É precisamente essa natureza efémera que faz de cada visita uma experiência diferente.
O monumento natural integra uma faixa costeira associada à chamada rasa cantábrica, uma superfície litoral relativamente plana sobre a qual se desenvolveu esta sucessão de falésias, praias, promontórios e ilhotas. A frente costeira do monumento natural tem cerca de 2,2 quilómetros, com falésias que atingem aproximadamente 10 a 20 metros de altura.
A área pode ser alcançada facilmente de automóvel, autocarro ou a pé, existindo uma estrada costeira e acessos locais paralelos à costa. Na parte superior das falésias existe também um passeio acondicionado, que permite observar a paisagem mesmo quando a maré impede o acesso ao areal.
Por que se chama Praia das Catedrais?
Durante a maré baixa, a extremidade oriental da praia revela uma sucessão impressionante de grandes arcos naturais, alguns com cerca de 30 metros de altura, que lembram os arcobotantes de uma catedral gótica. Entre eles existem colunas, abóbadas, grutas e passagens que fazem com que caminhar pelo areal seja quase como entrar num edifício construído pela própria natureza.
A comparação com uma catedral não é apenas uma metáfora bonita. Ao caminhar entre as paredes de rocha, é possível encontrar aquilo que parecem corredores, naves, portas e janelas abertas para o oceano. Em alguns pontos, os arcos surgem enquadrados por outros arcos, criando perspetivas que mudam à medida que avançamos.
É uma arquitetura sem arquitetos.
Uma catedral construída pelo mar
Apesar da aparência quase fantástica, a origem das Catedrais é perfeitamente explicável através da geologia.
As falésias desta zona são constituídas sobretudo por ardósias e xistos, rochas que apresentam fraturas e zonas de maior fragilidade. O mar aproveitou essas descontinuidades para começar a penetrar na massa rochosa. Ao longo de anos, a erosão marítima foi ampliando fissuras, escavando cavidades e criando grutas, túneis e arcos.
O processo pode ser imaginado como uma sucessão de etapas. Primeiro surgem pequenas fraturas na rocha. A ação contínua das ondas aumenta essas aberturas, transformando-as em pequenas cavidades. Com o passar do tempo, as cavidades podem tornar-se grutas e túneis. Quando a erosão continua a avançar, algumas dessas estruturas acabam por se abrir para o outro lado, formando arcos naturais.
É, portanto, a combinação entre estrutura geológica, erosão marinha e ação prolongada do oceano que produziu a paisagem que hoje vemos.
O Instituto Geológico e Mineiro de Espanha inclui o setor entre As Catedrais e Os Castros no Inventário Espanhol de Lugares de Interesse Geológico, destacando precisamente a influência das fraturas nas rochas e a extraordinária concentração de grutas, túneis e arcos resultantes da erosão marinha.
O resultado é uma verdadeira aula de geologia ao ar livre.
O espetáculo depende da maré
Se existe uma regra fundamental para visitar a Praia das Catedrais, é esta: não basta escolher um dia bonito; é preciso escolher bem a maré.
Durante a maré alta, o oceano cobre grande parte do espaço que, poucas horas depois, pode ser percorrido a pé. Muitas das grutas ficam inacessíveis e os grandes arcos deixam de poder ser observados a partir da areia.
Durante a maré baixa, pelo contrário, o mar recua e revela o extenso espaço entre as falésias. É nessa altura que se pode caminhar pelo areal, entrar nas zonas permitidas das grutas e observar de perto as formações rochosas.
A diferença entre uma visita feita no momento certo e outra feita algumas horas antes ou depois pode ser enorme.
Por isso, antes de partir, é essencial consultar a hora exata da baixa-mar para aquele dia. A própria informação turística de Ribadeo recomenda começar a visita cerca de uma hora antes da baixa-mar. A indicação tem uma razão prática: dessa forma, é possível aproveitar a descida da água e percorrer primeiro as zonas mais importantes antes de a maré começar novamente a subir.
A Praia das Catedrais é um monumento natural
A importância do local ultrapassa largamente o seu valor turístico.
A Praia das Catedrais foi declarada Monumento Natural em 2005, através do Decreto 11/2005, de 20 de janeiro. O espaço protegido tem 28,94 hectares, dos quais cerca de 20 hectares correspondem ao ambiente marinho.
A declaração teve como objetivo proteger não apenas a paisagem, mas também os valores geológicos, ecológicos, faunísticos e florísticos existentes no local.
A área está ainda abrangida por outras figuras de proteção, incluindo a Zona Especial de Conservação (ZEC) As Catedrais, integrada na Rede Natura 2000, e pela Reserva da Biosfera Río Eo, Oscos e Terras de Burón.
A zona protegida é, por isso, muito mais do que o pequeno trecho de praia que aparece na maioria das fotografias.
A área da ZEC estende-se por centenas de hectares entre os municípios de Ribadeo e Barreiros, protegendo uma faixa costeira com diferentes habitats e valores naturais.
Fotografias
Video
PREPARE A SUA VIAGEM
Utilize os seguintes links de afiliados e beneficie dos melhores preços em Seguros de Viagem, Tours, Rent a Car e Alojamento!
- Faça um seguro de viagem com a IATI (5% de desconto por ser nosso leitor)
- Encontre os melhores voos na eDreams
- Encontre o melhor alojamento no Hotels Combined ou no ALL-Accor
- Evite filas? Reserve as suas tours no Get Your Guide, no Civitatis ou no Viator
- Alugue o seu carro na Auto Europe ou na Rent Cars
- Poupe muito dinheiro em taxas de levantamentos e pagamentos em viagem com o uso do Revolut, Curve ou até com o português Moey.
- Com a Airalo, mantenha-se conectado, para onde quer que viaje, a preços acessíveis.
- Utilize a VPN da SurfShark quando vai viajar! Mantenha-se Seguro
Continue a leitura
Artigos Relacionados

Praia das Catedrais
Há lugares onde a natureza parece ter sido desenhada com uma régua e um compasso. E há outros onde o tempo, a força do oceano

MUSAC — Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León
Quando pensamos em León, em Espanha, é fácil imaginar primeiro a sua extraordinária catedral gótica, as igrejas históricas, as muralhas romanas ou as ruas do

León
Situada no noroeste de Espanha, nas margens do rio Bernesga, León é uma das cidades históricas mais fascinantes de Castela e Leão. Antiga capital do

Oviedo
Oviedo é uma daquelas cidades que não precisam de grandes dimensões para surpreender. Elegante, histórica, monumental e extraordinariamente agradável de percorrer a pé, a capital

Avilés
Situada na costa central do Principado das Astúrias, junto à ria que lhe dá nome e a oeste do Cabo Peñas, Avilés é a terceira

Centro Niemeyer, em Avilés
Há cidades que surpreendem pela beleza do seu património histórico. Outras conquistam pelo ambiente, pela gastronomia ou pela paisagem. Avilés, nas Astúrias, consegue reunir tudo

Museu e Circuito Fernando Alonso
Se é apaixonado pelo mundo do automobilismo, o Museu e Circuito Fernando Alonso, situado em Llanera, no coração das Astúrias, é uma visita praticamente obrigatória.

Combarro
Combarro: a vila costeira mais bonita da Galiza A escassos 20 minutos de Pontevedra e mesmo à beira da Ría de Pontevedra, Combarro é um

Pontevedra
Pontevedra: história, elegância e mar no coração da Galiza Situada nas Rías Baixas, junto à ria que lhe dá nome, Pontevedra é uma cidade de

Sanabria
Parque Natural do Lago de Sanabria: um paraíso nas montanhas Se procura um destino de natureza quase intocada, com trilhos de montanha, lagoas cristalinas e

Ponferrada
Ponferrada: Património templário e alma jacobeia no coração de El Bierzo No coração da região de El Bierzo, na província de Leão, ergue-se Ponferrada —

Ourense
Ourense: águas termais, pontes romanas e história milenar Aninhada nas margens do rio Minho, Ourense é uma das cidades mais cativantes da Galiza, onde a

Lugo
Lugo: História, gastronomia e autenticidade no coração da Galiza Na Galiza, banhada pelas águas calmas do rio Minho, ergue-se Lugo — uma cidade que guarda

Las Médulas
Las Médulas: A Grande Mina de Ouro da Hispânia Romana Se há um local em Espanha onde história, natureza e engenho humano se entrelaçam de

Carballiño
O Carballiño: Termas, História e Polvo no Coração da Galiza Localizado no noroeste da província de Ourense, na Galiza, o Carballiño é um destino surpreendente

Astorga
Astorga: ponto de passagem e de paragem entre caminhos Na região leonesa da Maragatería, Astorga ergue-se como um destino singular onde a história, a arte

Segóvia
Segóvia Segóvia é uma cidade incrível! De palácios a igrejas, de praças a jardins, aqui respira-se História! O melhor mesmo é explorar a cidade a