Era um destino que há muito fazia parte da nossa lista de viagens de sonho… e superou todas as nossas expetativas!
Não conhecíamos os Açores. Entendemos, como tal, que S. Miguel, a maior ilha do arquipélago, seria um bom ponto de partida.
Ficamos hospedados no My Story Hotel Vila Nova, em Ponta Delgada, a capital da ilha, onde não faltam opções de alojamento, restaurantes, esplanadas, lojas, multibancos, supermercados e hipermercados e até uma piscina natural gratuita – nas Portas do Mar – para dar uns mergulhos na água a 24º C.
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Ponta Delgada
O centro de Ponta Delgada é acessível a pé. Facilmente percorremos as ruas até às míticas Portas da Cidade e Igreja de S. Sebastião, passando antes pelo Forte de S. Brás, que alberga o Museu Militar dos Açores e o busto de Teófilo Braga, ex-Presidente da República de Portugal e natural de S. Miguel.
O Convento de Nossa Senhora da Esperança, a Igreja de S. João, o Teatro Micaelense e o Mercado da Graça são outros dos locais por onde andamos.
Vale a pena passear pela Marina de Ponta Delgada. Além das embarcações de pesca, acolhe um conjunto de empresas de animação turística que promovem passeios às principais lagoas, observação de baleias e golfinhos, turismo de aventura, mergulho, golf…é só escolher!
Baleias e Golfinhos
Durante anos, os Açores estiveram associados à caça da baleia. Felizmente, a atividade foi proibida na década de 80, abrindo oportunidades de negócio para a observação de cetáceos.
Uma das coisas que queríamos mesmo muito fazer era ver baleias e golfinhos! Mas nem sempre é possível. Por vezes, o mar está bravo ou os ventos são muito fortes e dificultam a navegação. Outras vezes…os animais não aparecem e não há nada a fazer! A natureza é mesmo assim!
Por isso, aconselhamos a marcar logo que possível esta atividade para que, caso surjam estas adversidades, possam reagendar o passeio para outro dia.
Das várias empresas disponíveis em Ponta Delgada, decidimo-nos pela Moby Dick – Tours, uma empresa familiar que opera com um barco mais tradicional. O que mais gostamos? Da simpatia e empenho em fazer tudo o que estava ao seu alcance para que conseguíssemos ver animais. Da primeira vez, não conseguimos ver nada…no dia seguinte, voltamos! Estivemos seis horas no mar! Navegamos, navegamos, navegamos…até que, a 40 km da costa, vislumbramos uma família de cachalotes, com adultos e crias! Foi verdadeiramente emocionante! Víamos as barbatanas dorsais desparecerem de cada vez que mergulhavam, mas, 15 minutos depois, apareciam à superfície para respirar!
No regresso…uau!! Fomos surpreendidos por dezenas de golfinhos aos saltos à volta do barco. Tão rápidos, tão bonitos!
A viagem foi longa, mas profícua. Valeu mesmo a pena!
Ananás dos Açores
Outros dos locais que visitamos em Ponta Delgada foi a Plantação de Ananás dos Açores, que existe desde 1864! A entrada é gratuita. Na visita (que não é guiada), percorremos algumas das estufas de ananases e aprendemos sobre o seu processo de crescimento através de placas informativas e QRcodes. É ainda possível provar algumas iguarias que têm o ananás como um dos ingredientes, experimentar o sumo natural, adquirir doces e licores e até trazer um ananás!
Para circular pela ilha não há mesmo outra hipótese senão alugar um carro. Apesar de termos planeado visitar a ilha por zonas, na realidade tivemos que alterar os nossos planos por diversas ocasiões. Apanhamos imensa chuva e nevoeiro. Para conseguirmos ver como estavam as lagoas, consultávamos o site http://www.spotazores.com/ que, em tempo real, através de webcams, dá conta da visibilidade em vários locais de várias ilhas dos Açores.
Tivemos que adaptar o nosso itinerário!
Ribeira Grande
No norte da ilha, na Ribeira Grande, fomos até à praia de Santa Bárbara, muito frequentada por surfistas e o spot de muitas competições.
Seguimos para as Piscinas da Ribeira Grande, Ponte dos Oito Arcos e Caldeiras da Ribeira Grande. Para quem gosta de caminhar na natureza, há um famoso trilho, com 7,5 km, entre as Caldeiras da Ribeira Quente e a Cascata do Salto do Cabrito.
A caminho da zona de Nordeste, passamos por imensos miradouros! Tentamos ir até à Lagoa de S. Brás (Ribeira Grande), mas não se via um palmo à frente do nariz…
Também tentamos ir ao Pico da Vara (Nordeste), o ponto mais alto da ilha (1103 m de altura) …o resultado foi o mesmo!
Caldeira Velha
Ainda no concelho de Ribeira Grande, adquirimos bilhetes para o Monumento Natural da Caldeira Velha, na encosta da Serra da Água de Pau. Além de uma grande diversidade em termos de fauna e flora, este local é conhecido pelas suas piscinas termais com temperaturas a rondar os 39º C! É mesmo relaxante! É que a Caldeira Velha teve origem no complexo vulcânico da Lagoa do Fogo. Para saber mais, visite o Centro de Interpretação Ambiental da Caldeira Velha.
Chá Gorreana
Na zona da Maia, visitamos a famosa fábrica de chá Gorreana, a mais antiga (1883) e atualmente a única plantação de chá da Europa. Com uma área de 32 hectares, a plantação da Gorreana produz mais de 30 toneladas de chá por ano nas variedades de verde e preto, a maior parte para exportação.
A entrada é gratuita. A visita possibilita o percurso pela história e evolução da fábrica, pelas máquinas utilizadas no processo de plantação, colheita e fabrico do chá, e, claro, a degustação! No final, há uma loja para quem quiser comprar chás e outros produtos típicos da região. Quem quiser, pode visitar os campos de chá.
Nordeste
Para quem gosta de trilhos, sugerimos nesta zona o que se dirige ao Poço Azul, na Achadinha. Há várias formas de lá chegar consoante a dificuldade de cada um. Começamos o nosso trajeto no Padrão Histórica das Alminhas. É sempre a descer pelo vale da Ribeira do Cachaço! A meio, deparamo-nos com uma vista fantástica para o mar…continuamos a descer até ao Poço Azul…e não é que é mesmo azul?
Seguimos para o Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões. Somos logo assoberbados pela beleza da cascata mesmo à face da estrada! Um espanto!
Moinhos de água, plantas lindíssimas, jardins, quedas de água, parque de merendas, cafetaria, lojas de artesanato e souvenirs são alguns dos atrativos deste parque. É ótimo para um dia em família!
Conseguimos passar pelo Farol da Ponta do Arnel, o primeiro construído nos Açores, no final do século XIX. O caminho para lá chegar é tão íngreme, que é bem preciso rezar a todos santinhos no caminho de volta para que o carro aguente.
Ainda no Nordeste, passamos pela vila famosa pela Ponte dos 7 Arcos e pela Igreja Matriz.
Povoação
Outra zona da ilha que é obrigatório ir é Povoação e visitar toda a zona da Ribeira Quente, nomeadamente a Cascata da Ribeira Quente e a Praia do Fogo. Em Faial da Terra, se tiverem tempo, façam o trilho do Sanguinho até à famosa Cascata do Salto do Prego.
Com cerca de dois anos de existência, a marina de Povoação é pequenina quando comparada com as das outras localidades, mas muito bonita. Na marginal, destaco a Porta do Povoamento, monumento que assinala a chegada a S. Miguel dos primeiros povoadores. Aliás, no mesmo local estão expostas vários esculturas da autoria de João Moniz dedicadas à mesma temática.
No fundo do pontão, somos surpreendidos pelo que resta da âncora, corrente e hélice do cargueiro Summer Breeze que encalhou naquele local em 1977. Parece um cenário de um filme da Segunda Guerra Mundial. Ao final do dia, as fotos ficam fantásticas!
Lagoa das Sete Cidades
É o cartão de visita de S. Miguel e não desilude. A Lagoa das Sete Cidades formou-se na cratera de um vulcão. Embora seja apenas uma, apresenta-se em duas cores diferentes, devido à concentração de algas, daí que se distinga as lagoas azul e verde. Também há quem diga se deve a uma lenda…Diz-se que uma princesa de olhos azuis se apaixonou por um pastor de olhos verdes nesta lagoa. O seu amor não era bem visto pelo rei que havia já prometido a filha a um príncipe de um outro reino. Na hora da separação e de despedida, os apaixonados choraram e as suas lágrimas formaram as lagoas verde e azul, as cores dos seus olhos…
Ao longo da cratera da lagoa, existem diversos pontos de observação.
O mais turístico é o miradouro da Vista do Rei (mais acima existe o tal hotel abandonado com vista privilegiada para a lagoa). Sinceramente foi o que menos gostamos. É neste local onde param os autocarros turísticos e se amontoam pessoas em busca da melhor imagem.
Para nós, o melhor é o miradouro da Grota do Inferno, com entrada pela Lagoa do Canário. Só é preciso ter sorte com o tempo para que se consiga ver a Lagoa das Sete Cidades sem nuvens.
Outro dos locais que mais gostamos é o miradouro do Cerrado das Freiras. Quem desce, encontra mais abaixo a Lagoa de Santiago.
Se tiverem oportunidade, desçam até à aldeia das Sete Cidades para ter outra perspetiva da lagoa. Atravessem a ponte dos Regos/Sete Arcos que separa as duas lagoas, percorram as ruas da freguesia e visitem a Igreja de S. Nicolau, de estilo neogótico do século XIX.
Depois das Sete Cidades, seguimos em direção a Ponta Delgada, passando por Mosteiros para ver o sol despedir-se atrás dos ilhéus. A melhor vista é no miradouro da Ponta do Escalvado. Outra das atrações são as piscinas naturais (Carneiro ou Poça da Pedra) de água do mar quente resultante da atividade vulcânica da ilha.
Terminamos o dia na Ponta da Ferraria. Além da vista fabulosa do Farol da Ferraria, é possível dar um mergulho no mar, nas piscinas naturais quentes da Ferraria. Para quem procura as qualidades terapêuticas das águas termais, as Termas da Ferraria são outra opção.
Vila Franca do Campo
Há mesmo muito para visitar em Vila Franca do Campo. Como tal, tivemos que fazer uma seleção do que podíamos ver.
Começamos pela Praia de Água d’Alto, de areia fina e água transparente. O bom tempo naquele dia convidava a um mergulho…mas, infelizmente tivemos que seguir caminho…☹
O principal atrativo desta zona da ilha de S. Miguel é, todavia, o ilhéu de Vila Franca do Campo, que tem origem numa cratera de um antigo vulcão submerso. A cratera foi inundada pelo mar, formando uma espécie de círculo. É, por conseguinte, conhecido como “o anel da princesa” pela sua forma.
O ilhéu fica a cerca de 500 m da costa e, nos últimos anos, tem recebido uma das etapas do Red Bull Cliff Diving World Series.
É possível visitar o ilhéu, entre os meses de junho e de outubro, mas é necessário adquirir bilhete na marina de Vila Franca do Campo.
A filmagem por drone é proibida, uma vez que se trata de uma reserva natural classificada e protegida.
Em terra, bem lá no topo, ergue-se a Ermida Nossa Senhora da Paz, datada do século XVIII. A subida da escadaria é recompensada pela vista fabulosa.
No caminho, passamos pela Igreja de S. Miguel Arcanjo, um dos templos mais antigos de todo o arquipélago dos Açores, mandado construir no século XVI pelo Infante D. Henrique.
Se tiverem oportunidade, visitem a fábrica das tradicionais queijadas de Vila Franca do Campo do Morgado, produzidas nesta empresa familiar desde 1961. São uma perdição!
Entre Vila Franca do Campo e as Furnas, destaca-se o Miradouro do Castelo Branco, com uma pequena torre de estilo medieval a partir da qual se vê a Lagoa das Furnas, o ilhéu de Vila Franca…o mar! A vista vale a pena!
O que mais gostamos de Vila Franca do Campo? Da Lagoa do Congro! Ao contrário das outras lagoas, situa-se num local relativamente plano e está envolvida pela vegetação. O caminho até lá chegar não é fácil, o que desmotiva a maior parte dos turistas. Sentimos que estamos mesmo no meio da natureza…não há rede de telemóvel! Se chover, preparem-se para a lama. O esforço é, contudo, compensado no final. Somos engolidos pelo silêncio da floresta.
Lagoa do Fogo
A Lagoa do Fogo é de cortar a respiração! Fica dentro da cratera de um vulcão e formou-se há cerca de 15 mil anos. É a segunda maior lagoa de S. Miguel e pertence ao concelho de Vila Franca do Campo.
Foi difícil encontrar o momento certo para subir à Lagoa do Fogo, pois grande parte do tempo em que estivemos em S. Miguel esteve quase sempre encoberta pelas nuvens. Mal se abriu uma janela de oportunidade (de sol!), aproveitamos logo!
Há várias formas de lá chegar e imensos sítios onde parar para fotografar! A melhor vista para a Lagoa do Fogo encontra-se no miradouro do Pico da Barrosa.
De carro, a estrada é mesmo íngreme. A pé, existem vários trilhos, mas não acessíveis a qualquer um. Este tipo de percursos exige tempo e, claro, alguma preparação física.
Um dos mais conhecidos é o Trilho da Lagoa de Fogo, com 11 km, da Praia do Fogo à Lagoa do Fogo.
Lagoa
Infelizmente, dedicamos pouquíssimo tempo a este concelho! Queríamos mesmo conhecer mais coisas! Do que vimos gostamos muito! Tem zonas residenciais muito bonitas e arranjadas.
Lagoa é conhecida pelo complexo de piscinas municipais, onde se incluem uma piscina coberta, piscinas naturais, uma piscina semiolímpica, piscinas para crianças, esplanada…
Visitámos o porto de pesca da vila de Água de Pau, onde se localiza a zona balnear da Caloura, muito procurada no Verão e vigiada por nadadores-salvadores. A entrada para a piscina é gratuita.
Furnas
Para visitar toda a zona das Furnas, no concelho de Povoação, precisávamos de um dia inteiro!
À medida que nos vamos aproximando do centro da freguesia, sobressaem as caldeiras e fumarolas, com o seu cheiro intenso a enxofre, demonstração da grande atividade geotermal.
O mesmo cenário encontramos nas Caldeiras da Lagoa das Furnas, algumas das quais com grande intensidade. É nesta zona que é preparado o tradicional cozido das Furnas, a especialidade gastronómica da ilha de S. Miguel feita à base de carnes, enchidos e legumes. Os ingredientes são colocados numa panela que é depositada num buraco na terra e cozinham no calor vulcânico. A cozedura dura várias horas, por isso, se quer experimentar, tem mesmo de reservar com antecedência num dos restaurantes da zona que servem este prato.
A Lagoa das Furnas é lindíssima! Antiga cratera do vulcão das Furnas, está rodeada de vegetação. Os banhos não são permitidos, mas é possível experimentar outras atividades como a canoagem.
Para saberem mais sobre a história e a evolução deste vulcão, visitem o Centro de Monitorização e Investigação das Furnas.
Se apreciam trilhos pela natureza, aventurem-se pelo Parque Grená, com entrada pelas Caldeiras da Lagoa das Furnas. É ótimo para caminhadas e passeios de bicicleta.
Ao fundo da Lagoa das Furnas, ergue-se a Capela de Nossa Senhora das Vitórias. Ao longe, parece uma casa abandonada e assombrada…quando se vê de perto é um belíssimo edifício neogótico do século XIX com vitrais lindíssimos, onde se encontra sepultado José do Canto (1820-1898), intelectual açoriano, apaixonado por literatura e botânica.
Com muita pena nossa, não conseguimos visitar o Parque Terra Nostra nem usufruir das águas quentes termais da Poça da Dona Beija, entre muitos outros locais de S. Miguel que estavam na nossa lista como a Ribeira Quente, o trilho do Sanguinho ou a Gruta do Carvão. Tivemos que alterar os nossos planos diversas vezes, em função das condições meteorológicas, e ficamos sem tempo para ver tudo o que queríamos.
Queremos voltar, com mais e melhor tempo! E sim, despertou-nos a curiosidade em conhecer as restantes ilhas.
Para quem gosta de trilhos, S. Miguel é um sonho! Tragam sapatilhas, impermeável e espírito de aventura! À vossa espera estão percursos fabulosos, vistas deslumbrantes para o mar, cascatas, pastagens pintadas por vacas e hortênsias, e verde, muito verde!
No regresso, a nossa mala de viagem veio mesmo carregada, sobretudo de recordações…das paisagens, das pessoas, da Laranjada e do Kima de Maracujá, do bolo lêvedo, do ananás, das lapas, do cozido das Furnas, do bife com pimenta da terra, das queijadas de Vila Franca do Campo, do queijo das Furnas, dos licores, das compotas e dos chás …S. Miguel ficou no nosso coração!
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